História

O Dia da África e o Trabalho no Brasil: para além do samba e do futebol

Em 1963, no dia 25 de maio, numa reunião na cidade de Adis Abeba, capital da Etiópia, chefes de Estado e Governo africanos se reuniram para discutir a unificação de lutas em favor das independências. O continente vivia um contexto de ideologias anti-coloniais, pois muitos países ainda se viam na condição de colônias de nações europeias, numa edição renovada e nefasta do colonialismo do século XVI. Essa reunião resultou na criação da Organização da Unidade Africana, mais tarde chamada de União Africana com 53 países membros no continente e cuja data de criação – 25 de maio de 1963 – é lembrada a cada ano e celebrada em diversas nações africanas e também naquelas que foram destino de diásporas africanas, como o Brasil com o nome de Dia[…]

13 de maio no Bembé do Mercado

Desde o século XIX, na data 13 de maio, em Santo Amaro, região do Recôncavo baiano, acontece o Bembé do Mercado, festa realizada em comemoração à abolição da escravatura. O Bembé reúne os principais terreiros de candomblé no Mercado Municipal da cidade em um momento de cantos, danças e toque dos atabaques. O objetivo não é comemorar a assinatura da Lei Áurea, mas sim a liberdade simbolizada pela livre vivência da religiosidade. Nesse sentido, os tambores que ecoam no mercado simbolizam a libertação dos negros. Santo Amaro tem uma população majoritariamente negra/mestiça, em virtude da quantidade de engenhos instalados ali no período colonial. O Recôncavo baiano foi o principal centro produtor e exportador de cana de açúcar, responsável pelo abastecimento[…]

Das naus aos dias atuais

Quando os europeus vieram em suas naus1 adentrar as terras desconhecidas da América, eles não sabiam o que estavam prestes a descobrir.  Buscavam um novo caminho para a Índia e suas rotas eram semelhantes. A Espanha e o Portugal da época da grande expansão marítima eram as potências mundiais. Dominavam a ciência e a tecnologia2 homologaolvida por diversos sábios de outros povos (especialmente astrônomos, matemáticos e cartógrafos) e tinham um investimento alto numa política de expansão, extração de riquezas e colonização. Os portugueses eram mais flexíveis que os espanhóis quanto à religião destes sábios. Muitos dos conselheiros que D. João II reuniu para homologaolver os conhecimentos náuticos eram, em sua maioria, sábios judeus expulsos da Espanha em 1492. Se hoje em[…]

Os Índios ou Povos Indígenas?

Os Índios ou Povos Indígenas?

Você usa a expressão  “os Índios” para se referir aos povos indígenas? Saiba que o uso desse termo não está correto e reflete uma visão carregada de preconceito. As culturas indígenas são múltiplas, portanto, não existem expressões culturais singulares que possam identificar todas as etnias indígenas. Dizer “os índios” significa reduzir as culturas indígenas a um bloco único, essa atitude reflete uma visão estereotipada de povos, que são caracterizados, exatamente, pela diversidade de suas culturas. No episódio “Povos indígenas“, do programa Intervalo, vemos que cada grupo étnico indígena  apresenta características específicas, também aprendemos que eles são sujeitos contemporâneos, que vivem de acordo com as mudanças propostas pela sociedade. Assim, existem povos que vivem mais próximos ao litoral e assimilaram alguns[…]

Vai câmera. Vai áudio. Sou índio. Ação!

Os povos indígenas não querem apenas terra, querem diversão e arte. E aí, galera! O que vocês acham disso? Vamos trocar uma ideia sobre os povos indígenas e suas produções audiovisuais? Bom, vamos nessa. Perguntei ao meu filho de seis anos: “Como você imagina os índios?” E ele responde – A professora me falou que são aqueles povos que vivem na floresta e pinta nas paredes. Pensei: ainda hoje se ensina com saudosismo o que são e a que lugar “pertencem” os povos indígenas? Foi, então, que convidei meu filho para assistir comigo a um vídeo chamado “ Indígenas Digitais”, filme este que mostra que os indígenas estão longe de ser resquícios de uma história viva, “restos” de um passado[…]

Entre as Cidades Baixa e Alta!

Por André Soledade* Ao fazer a travessia Mar Grande/ Salvador, somos surpreendidos pela beleza da cidade de Salvador, que se destaca de longe pelo desnível existente entre as Cidades Baixa e Alta. Olhando na direção do Elevador Lacerda, observa-se ao fundo um enorme paredão de rochas existente. Esse penhasco que une as Cidades Alta e Baixa, bem como toda faixa esverdeada, é conhecida pelos geólogos como Falha Geológica de Salvador. Essas falhas são o resultado de esforços aplicados sobre as rochas, que se quebram por não suportar o esforço ao qual são submetidas. Na nossa cidade, esta falha originou o relevo, que separa as Cidades Alta e Baixa, onde foram construídas diversas ladeiras, planos inclinados, elevadores com o objetivo de[…]

Salvador: uma mistura de tudo um pouco!

Por Telma Gonçalves* Fundada em 1549, Salvador foi a sede do poder político e econômico da Coroa portuguesa no Brasil por mais de 200 anos. Mesmo quando a capital do reino do Brasil foi deslocada para o Rio de Janeiro, em 1763, Salvador continuou sendo um importante entreposto comercial do Império Português em que o fumo, a cachaça e o açúcar eram escoados para as mãos de traficantes de escravos que utilizavam essas mercadorias para comprar africanos na costa ocidental e centro-ocidental da África. O porto da Bahia, localizado ainda hoje na Cidade Baixa tornou-se conhecido como o porto do Brasil, como se na extensa faixa marítima da conquista portuguesa na América não houvesse outros. Um vai e vem de gente[…]

Diversidade Humana: ontem, hoje e sempre!

Olá ! Vamos bater um papo sobre DIVERSIDADE HUMANA, tema presente nos relatos entre os povos da antiguidade que apontavam as diferenças, notadas entre si e os demais integrantes de outros grupos humanos,como excêntricas, exóticas, esquisitas e intoleráveis. Para alguns, a diferença podia causar espanto, admiração. Em outros, podia ser motivo para aproximação ou severa repulsa. Na contemporaneidade tais relatos e discussões continuam. Atualmente, “causar na diversidade” ainda pode ser visto como problema e não como valor. É comum um olhar preconceituoso à “diversidade” que a desapropria de beleza e a submete à discriminação? Em pleno século XXI, é possível afirmar que a “barbárie” está presente em crimes homofóbicos, violência contra mulher, conflitos geracionais, desrespeito aos novos arranjos familiares e[…]

Mulher e Respeito: palavras que se gostam!

A mulher ocupa um espaço privilegiado na formação humana. Sua capacidade de gerar os novos seres humanos que habitam o planeta já leva, por si só, a uma necessidade de respeito singular. Entretanto e infelizmente, ao longo da história, o feminino personificado na mulher não recebe o tratamento merecido, com dignidade e trato adequados por parte do mundo masculino. No século XX, com avanços científicos e tecnológicos, a mulher precisou agarrar a unhas e cérebros possibilidades de mudanças desse estado de coisas. Nesse período de cem anos, o pensamento libertário de intelectuais do porte de Simone de Beauvoir, presença marcante da solidariedade e força espiritual de Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce ou Mãe Menininha do Gantois e a efervescência[…]

Cine PW: Samba Riachão

O documentário Samba Riachão (2001), de Jorge Alfredo, é uma obra bastante significativa para quem quer saber e entender um pouco sobre a história do samba, principalmente o da Bahia. Ao colocar o sambista Riachão como protagonista, o cineasta produziu uma narrativa em que fica evidente o quanto Clementino Rodrigues, verdadeiro nome de Riachão, se confunde com o samba. E vice-versa. O nome do documentário já evidencia isso. É como se Jorge batizasse uma vertente do samba como sendo “Riachão”, para contrapor à samba-canção, samba de roda, samba-reggae e etc. Por isso, não há vírgula no título. O “Riachão”, no caso, não é vocativo; é adjetivo. Ou seja, o nome do filme não remete a um comando para que Riachão[…]

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