Capitalismo consciente: Uma carta bônus para uma educação financeira com propósito transformador.

Por Danielly Oliveira

Quanto o nosso consumo está impactando todo o planeta? Melhor ainda, como podemos, hoje, diminuir o impacto causado no planeta e na sociedade? Não é fácil esquecer a imagem da tartaruga marinha com o canudo em suas narinas. Na educação financeira, falamos muito sobre praticar um consumo consciente e isto tem a ver com as nossas escolhas de consumo. Não significa deixar de consumir e, sim, realizar escolhas, a partir de uma perspectiva diferente, por produtos e/ou serviços, considerando seus impactos nos âmbitos social, econômico e ambiental.

Há algum tempo, somos convocados a refletir sobre as nossas escolhas e nosso consumo, e nos convidam a praticar os 3rs do consumo consciente: reduzir, reutilizar, reciclar. Mas isso nos coloca numa posição de assumir a responsabilidade a partir do fato gerador: a compra do produto. Em nossas mãos, como consumidores finais, em algum momento, precisamos e vamos descartar esse produto, conseguindo, no máximo, prolongar o fim.  

Vamos para um exemplo prático? Temos muitas empresas no mercado que vendem água mineral em garrafa PET.  Ao chegar no supermercado nos deparamos com diferentes marcas, e com alguma variação de preço. Ao comprarmos uma garrafa de água mineral a maioria de nós descartará este recipiente, o mesmo demora cerca de 200 a 600 anos para se decompor. É um problema meu, que comprei o produto? É um problema da empresa, que o produziu? Eu realmente acredito que seja um problema para todos nós.

Se a empresa que os produz já tem um plano de descarte e reaproveitamento deste material, seria uma empresa a qual ganharia estrelinhas em seus critérios? Acredito que sim, se você se preocupa com o meio ambiente. E, se ainda não se atentou para tais assuntos, creio que também será uma premissa relevante para esta reflexão. É o que promove, por exemplo, a Coca-Cola Brasil em sua água Crystal ao produzir uma garrafa a partir de outras garrafas.

A ideia de capitalismo vem sendo, ao longo do tempo, associada ao lucro devastador que não se importa com nada, nem com ninguém. Temos algumas gerações questionando esse movimento, e trazendo soluções que podem agregar lucro, crescimento, desenvolvimento e cuidados em esferas ambientais, econômicas e sociais. Já ouviu falar da água AMA? É uma iniciativa da Ambev que promove o acesso à água potável para pessoas que não a têm.  A empresa reverte 100% do lucro da venda dessa água para projetos sociais. Sim! Ainda é um problema atual. Temos pessoas que não têm água limpa para beber, acredita? Cerca de 2,2 bilhões de pessoas não têm acesso à água potável, segundo relatório conjunto da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Parece fácil para grandes empresas adaptarem setores inteiros para desenvolver projetos como vimos anteriormente. Mas, hoje, temos uma quantidade considerável de empresas que já nascem com este propósito, conseguindo equilibrar responsabilidades (ambiental, social, econômica) com os lucros, o que é benéfico para os envolvidos de diversas formas. Temos grandes exemplos de empresas baianas que apresentam propósitos transformadores, através do empreendedorismo desenvolvendo o capitalismo consciente como a EcoCiclo (www.ecociclooficial.com.br) liderada por quatro baianas que desenvolveram absorvente 100% biodegradável ou  Euzaria (https://www.euzaria.com.br/) criada por dois baianos, em que cada produto vendido em sua loja tem valor redirecionado para uma ação social diferente, vale a pena conferir o trabalho deles!

É verdade que muitas empresas vendem os mesmos produtos e os critérios de diferenciação passam a ir além das características específicas, ampliando-se para escalas de propósito, que possibilita irmos além do pensar na compra com um simples “quero isto” ou “preciso daquilo”. Se os consumidores estão optando por escolher elementos que impactam positivamente todo um ecossistema, as empresas precisam estar adequadas a este novo olhar, e o jovem empreendedor precisa estar atento às mudanças do mundo, para o mundo e para aqueles que o habitam.

Danielly Oliveira

Fundadora Gerir Gestão para Mulheres

Co-fundadora l Orí Consultoria Educacional

Referências:

https://brasil.un.org/pt-br/126235-oms-e-unicef-recomendam-sistema-global-para-monitorar-acesso-universal-agua

https://www.ambev.com.br/ama/

https://www.cocacolabrasil.com.br/historias/marcas/crystal-tem-primeira-garrafa-de-agua-mineral-produzida-apenas-co