AS FORMAS DO MUNDO

Por: Arlindo Matheus Santiago de Brito,

Provavelmente você já deve ter observado formas variadas por aí, não é? Círculos, triângulos, quadrados, retângulos e muitas outras formas geométricas. Às vezes, não parece ser tão óbvio enxergar esses padrões na natureza e, provavelmente, você também não percebe que esses padrões podem fazer que você se torne um hábil desenhista/ilustrador. Seja uma obra renascentista de Michelangelo ou uma ilustração de Kim Jung Gi, todos estimulam sua criatividade, através da observação desses padrões. Então, por que não os usar como um recurso de aprendizagem? 

Antes de mais nada, é necessário definir os conceitos de desenho e ilustração. O desenho sugere algo espontâneo que remete a diversão, criatividade e inovação, sem a necessidade obedecer às regras ou parâmetros. A ilustração, no entanto, possui o objetivo de transmitir alguma informação, podendo fazer paralelo com escrita, favorecendo a compreensão de determinadas situações que podem ser incompreendidas apenas com a leitura. No processo de aprendizagem, a ilustração é essencial para o desenvolvimento cognitivo, na interpretação de conceitos, estruturas e situações, aos quais a abstração de leituras descritivas são insuficientes para entregar a informação de uma forma completa.

A natureza, em todos os seus contextos e criações, é constituída por formas e estruturas que podemos identificar e comparar com formas geométricas. São figuras simétricas e assimétricas, que possuem formatos que podem ser ilustrados de diferentes maneiras. A proposta “As formas do mundo” busca simplificar como enxergamos os objetos que nos cercam, para que todos possam transferir suas observações para ilustrações e desenhos. 

Objetivos das atividades realizadas: 

●   Desenvolver a capacidade de compreensão e interpretação do mundo (natural, social e tecnológico), para transformá-lo.

●   Explorar como os conceitos das diferentes áreas do conhecimento podem ser representados no mundo real;

●   Desenvolver a sensibilidade, intuição, para a promoção dos conhecimentos que se englobam na educação;

●   Exercer a criatividade, na exploração de padrões ou características específicas que se expressam na natureza;

●   Explorar formas geométricas, assimilando conceitos como perspectiva, profundidade e dimensionamento.

Diversas vezes nos deparamos com situações em que é necessário ilustrar alguma coisa. Nessa situação, quando alguém possui “talento” ou “dom”,  é bem mais fácil, né? Mas, na verdade, qualquer pessoa pode fazer desse processo algo tão fácil quanto escrever ou falar.

Para isso, anote do que vamos precisar:

●   Papel (A4, A3, pautado, sem pauta, colorido, branco);

●   Lápis (aqui vai um detalhe importante: se pretende fazer esboços para cobrir ou printar posteriormente, use lápis com maior dureza; se deseja criar desenhos com maior nitidez e sombras, use lápis com maior maciez);

          8H – 6H – 4H – 2H – H – HB – B – 2B – 4B – 6B – 8B

←Maior dureza                            Maior maciez→

●   Lápis de cor;

●   Caneta (caso seja possível a utilização de nanquim, é a melhor opção);

●   Sua criatividade e capacidade em explorar as formas do mundo;

Aprender alguns conceitos básicos de desenho é o primeiro passo: desenhar as formas básicas, sombreamento, perspectiva e profundidade. Depois de exercitar esses conceitos e entender como identificar as formas que compõem tudo e todos, é possível aplicar esses conhecimentos nas mais variadas situações, em ambiente científico, através das ilustrações científicas e, ocasionalmente, em um momento de meditação e relaxamento. Dessa forma, não apenas sendo um hobby, mas também um método de aprendizagem que lida diretamente com a criatividade, habilidades, conhecimentos artísticos, científicos e motores de cada indivíduo.

Então vamos pôr a mão na massa:

  1. Comece observando as formas:

Figura 1: Caixa de fósforos

  1. Meça sua folha: para começar a desenhar, você deve imaginá-lo  pronto na sua folha. Isso vai te ajudar a manter as dimensões do desenho. 
  1. O segredo são as camadas: comece sempre pelo básico, usando as formas. Depois, dê contornos, sombras, profundidade e perspectiva.
  1. Composição: assim como uma foto, você deve pensar em interações entre o desenho e algo do cenário, uma pose e o ângulo do desenho. Essa parte é bastante importante.
  1. Explore: seja livre para criar seu desenho, use círculos, triângulos e trapézios. Juntas essas formas vão esboçar aquilo que você quer compartilhar.

Então, agora basta pôr em prática!

A oficina ‘formas do mundo’ foi realizada em um encontro do Núcleo Baiano de Aprendizagem Criativa, pensando em como os professores podem aplicar a ilustração como uma prática atrelada ao currículo e desenvolver soluções criativas para a aprendizagem.

Núcleo Bahia | Portal da RBAC (aprendizagemcriativa.org)

Arlindo Matheus Santiago de Brito é Coordenador de Aprendizagem Criativa e Cultura Maker do Instituto Anísio Teixeira

Para ir além:

Art Book. Disponível em: https://www.rfwp.com/samples/artbkpgs.pdf. Acesso em 08 de dezembro de 2021.

Guia Definitivo para Desenhar Bem. Disponível em: https://www.mundracunn.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1.5-GUIA-DEFINITIVO-PARA-DESENHAR-BEM.pdf . Acesso em 08 de dezembro 2021.