Série – Matemática das coisas: Pneus

Olá, amigos, tudo bem?

Hoje nós vamos falar sobre álgebra! Isso mesmo, vamos falar sobre os números e letras presentes nos pneus, seus significados e qual a sua importância para o consumidor final.

Os pneus estão atrelados ao material rodantes dos veículos, composto por pneus e rodas e é o principal responsável pelo quesito segurança. Um pneu é composto das seguintes partes:

Fonte: https://www.blog.acheipneus.com.br/post/partes-do-pneu-e-funcoes

Os pneus são classificados em tamanhos e, cada um tem uma característica e um tipo de comportamento. Os “índices” ou “parâmetros” dos pneus podem representar consumo, estabilidade, segurança, equilíbrio, nível de ruido, peso e velocidade máxima suportados.

Todo carro tem seu tamanho de pneu específico e nele não pode ser colocado outro tipo de pneu que não seja o indicado pelo fabricante, uma vez que o veículo foi construído dentro das especificações para receber aquele pneu.

Todos os parâmetros de um pneu, estão em alto relevo, na sua parede lateral (ou flancos). Vejamos, por exemplo, o significado de 175/65 R14 82T.

O número 175 é a chamada ‘banda de rodagem’, que corresponde a largura do pneu, em milímetros. A largura tem papel fundamental na estabilidade e no controle do carro.

O número 65 é a medida da altura do pneu, mas não tem unidade de medida. Ele significa a porcentagem em relação à largura nominal. Nesse exemplo, o pneu tem de altura 65% da largura nominal do produto.

As letras “R” ou “D” é a estrutura de fabricação do pneu, a forma como ele foi construída, que pode ser radial (R) ou diagonal (D), e não tem a ver com raio, como pode dar a entender. O pneu radial tem maior rigidez e consequentemente maior durabilidade. Suas laterais são mais flexíveis e frágeis para compensar a rigidez da banda de rodagem. São pneus mais propensos a danos laterais e a cortes. São geralmente fabricados para serem usados sem câmara de ar (tubeless). Em sua maioria os cordonéis são feitos de aço. O pneu diagonal ou convencional apresenta a carcaça composta de lonas sobrepostas e cruzadas umas em relação às outras. Os cordonéis são, geralmente, feitos de nylon.

Fonte: http://www.ost.ind.br/portal/institucional/conheca-seu-pneu

O número 14 representa o diâmetro, o aro, como é popularmente conhecido. Os carros populares normalmente contam com tamanhos de aro entre 13 e 15 (13 = 33,02cm; 14 = 35,56cm e 15 = 38,1cm).

O parâmetro 82T representa duas características importantes dos pneus: o peso ou carga (representado pelo número) e a velocidade máximos (representado pela letra) suportados. A carga máxima de um pneu para veículos leves de passeio, varia do código 70 ao 100 ou seja, de 335kg a 800kg; enquanto a de veículos pesados vão de 101  a  191, ou de 825kg a 10.900kg. Já a velocidade máxima suportada pelos pneus varia de J a Y, ou seja, de 100km/h a 300km/h, conforme valores especificados na tabela abaixo.

Assim, no parâmetro 82T, o número “82” é um índice que representa a carga/peso máxima que o pneu suporta, que neste caso é 475kg, conforme a tabela; e a letra “T” é o índice de velocidade máxima suportado pelo pneu que, nesse caso é 190km/h.

Como parte integrante do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), desde 2018, o INMETRO obrigou, a todos os fabricantes e revendedores de pneus no Brasil a informar ao consumidor final o índice de desempenho do pneu no consumo de combustíveis, na pista molhada e o nível de ruido. Essas etiquetas lembram as já utilizadas para medir a eficiência de eletros domésticos e veículos.

A etiqueta traz a classificação quanto ao consumo de combustível, quanto a aderência à pista molhada/ drenagem na chuva (ambas variam de A – menor consumo/maior aderência a G – maior consumo/menor aderência) e quanto ao ruído, que é causado pelo atrito do pneu com o asfalto e é indicado por ondas, na cor preta que corresponde a decibéis(dB) [1 onda (até 69dB) – silencioso; 2 ondas (de 70 a 72dB) – médio ruído e 3 ondas (acima de 72dB) – ruidoso].

Com essa tabela podemos comparar os índices de classificação de um pneu com outro, e não levar gato por lebre, uma vez que pneus de mesma medida podem oferecer resultados diferentes. A escolha é sua. É verdade que, o que é comprovadamente melhor – ou visto como melhor – naturalmente, custa mais. Mas há um efeito nessa estratégia: bens mais caros atraem um público específico e afasta outro. Como há mais gente com o orçamento apertado do que aqueles com grana de sobra, o segmento de “baixo custo” ganhou uma relevância que os grandes fabricantes não podem ignorar. Essa é a principal justificativa para empresas conhecidas venderem pneus com nomes desconhecidos. É o que se chama de segmentação do mercado. Vejamos quem é quem nesse segmento de pneus, as marcas das marcas, ou ainda as marcas das grifes.

As marcas das grifes ou marcas secundárias são estas:

A italiana Pirelli tem como única linha de baixo custo a Formula;

A francesa Michelin tem a Uniroyal (que produz o modelo Tigar) e a BFGoodrich;

A japonesa Bridgestone e maior fabricante de pneus do mundo é dona da Seiberling e da Firestone (que equipou o primeiro ford produzido em série em 1908 e é a única fornecedora de pneus da fórmula Indy);

A alemã Continental é proprietária das marcas Euzkadi,  Barum, General Tire (GT) (que oferece os modelos Altimax e Grabber) e a  Viking;

A americana Goodyear é dona das marcas Kelly Tires (rival direta da Formula, da Pirelli) e a Direction; A sul coreana Hankook é a dona da Kingstar (de origem holandesa e produtora da linha secundária Marshal) e a Laufenn.

A sul coreana Hankook é a dona da Kingstar (de origem holandesa e produtora da linha secundária Marshal) e a Laufenn.

Eis por que é muito importante analisar os índices de cada pneu que vêm na parede lateral do mesmo e na etiqueta do InMetro, como já vimos acima. Vários truques são utilizados para reduzir os preços de pneu, frequentemente chamadas de “segunda linha”, nas lojas. Um deles é rebatizar produtos da geração anterior com a segunda marca, retirar do pneu alguns ingredientes nobres – componentes que favorecem a durabilidade ou consumo, as carcaças também podem ser menos robustas, com índices de carga ou velocidade inferiores (suportam menos peso ou velocidade inferior, quando comparados com o pneu do primeiro escalão), redução da profundidade do sulco na banda de rodagem (pneus premium oferecem 8mm, enquanto os equivalentes com preço menor têm 7). Nada disso é ilegal ou danoso. Ao cliente, cabe a decisão de investir mais ou menos, optando por quais tecnologias quer usar no seu carro. Pneus de mesma medida podem oferecer resultados diferentes. A escolha é sua!

Um grande abraço e, até a próxima!

FONTES:

QUATRO RODAS. A “Série B” das marcas e fabricantes de pneus. Disponível em: <https://quatrorodas.abril.com.br/auto-servico/a-serie-b-das-marcas-e-fabricantes-de-pneus/>. Acessado em 30 de outubro de 2020.

QUATRO RODAS. Entenda como funciona a nova etiquetagem de pneus. < https://quatrorodas.abril.com.br/auto-servico/entenda-como-funciona-a-nova-etiquetagem-de-pneus/>. Acessado em 30 de outubro de 2020.

NOTÍCIAS AUTOMOTIVAS. Tabela de capacidade de carga de pneus. Disponível em: < https://www.noticiasautomotivas.com.br/tabela-de-capacidade-de-carga-de-pneus/>. Acessado em 30 de outubro de 2020.

OST.Conheça Seu pneu. Disponível em: < http://www.ost.ind.br/portal/institucional/conheca-seu-pneu>. Acessado em 30 de outubro de 2020.