Semeando possibilidades que encantam

Existem discursos que se projetam em terrenos sobre os quais as palavras fracassam, pois estas são, no mínimo, insuficientes. Refiro-me ao campo intrapessoal, aos mistérios subjetivos que expõem os desejos e emoções das pessoas. Dessa forma, a comunicação se processa, se realiza em possibilidades sensíveis e nos faz crer que dizer o indizível através do vídeo é tocante. 

 

Exercício de realização audiovisual e apreciação fílmica – Imagens: professor Geraldo Seara)

Um dia desses, me peguei, mais uma vez, pensando nos discursos que encantam. Isso se deu no município de Simões Filho, no estado da Bahia, mais precisamente em uma sala de aula do Colégio Estadual Doutor Berlindo Mamede de Oliveira. Professores, estudantes, gestores e demais funcionários dessa escola assistiam atentos a uma produção fílmica que perceptivelmente os encantava. E não era para menos, pois tratava-se de uma produção autoral deles, que versava sobre a comunidade escolar e sobre sua própria história numa perspectiva, ainda que simples, memorialista. Assista ao vídeo abaixo:

Imersos em um contexto híbrido de formação audiovisual na Educação, membros do Berlindo Mamede (estudantes, professores, coordenadores, gestora e funcionários) participaram ativamente de oficinas voltadas para o referido fazer fílmico. Nesse contexto, os cursistas estudaram sobre “Direito autoral, Concepção/Roteiro, Realização e Edição para o audiovisual”, saberes e fazeres necessários para a boa produção de discursos multimodais em vídeo. 

(Aula de edição da formação Produção Audiovisual na Educação Imagens: professor Geraldo Seara)

Eles se dedicaram e aprenderam o “riscado” direitinho, cabendo agora praticar, estudar e seguir sonhando, construindo, se encantando, emocionando e estimulando outros sujeitos. Das oficinas em questão, aprenderam muito, sobretudo a dizer o indizível, realizando e projetando encantamento. Nós, formadores, e eles tivemos essa certeza do aprendizado no momento da apreciação fílmica. O que vimos, ao assistir o pequeno vídeo, nos fez refletir profundamente acerca dos feitos (processo) e de como cativamos através da representação do real construído mediante trabalho coletivo e colaborativo. A diversidade de pessoas e saberes envolvidos convergiram e oportunizaram o trabalho em rede, sendo decisivos para  transformar intenções individuais em realidade coletiva. 

            (Formação em Produção Audiovisual na Educação – Imagens: professor Geraldo Seara)

A hora da exibição foi um momento de profundo exercício da escuta, algo tão importante, necessário, mas infelizmente muito negligenciado em contextos de egocentrismo social que temos vivido. Sendo assim, através desse momento oportuno, ímpar de escuta sensível, nos permitimos ouvir o indizível, aquilo que nos toca, emociona, faz refletir. Também nos demos conta de olhar para o outro percebendo que construímos histórias sempre em coletividade, mesmo que estas apontem para nossa individualidade. Sempre precisaremos uns dos outros. 

Esse encontro formativo entre professores da Rede Anísio Teixeira – IAT/SEC e comunidade do Colégio Estadual Dr. Berlindo Mamede de Oliveira promoveu acolhimento e aprendizados recíprocos. O mais importante desse momento formativo certamente esteve para além do entretenimento garantido pela projeção fílmica na parede. O que nos impactou verdadeiramente foi a dinâmica e força do processo coletivo e colaborativo de realização e, principalmente, dos discursos ocultos, não ditos, mas que comunicam muito e que sempre nos apresentam ricas possibilidades de pausa, atenção, percepção, reflexão e encantamento. 

 
(Registro audiovisual de uma estudante da escola – Imagens: professor Marcus Leone)

Sigamos assim, estimulando discursos puros que emocionam e se apresentam em formas diversas, para além da oralidade. Plantemos o futuro semeando sensibilidade, união, respeito à diversidade, o fazer junto (com e para o outro) e a verdade da simplicidade que precisa ser vista como algo muito importante. 

(Entrada do Col. Est. Dr. Berlindo Mamede de Oliveira – Imagem: professor Marcus Leone)

Força e sensibilidade sempre! 

Até breve!

Marcus Leone Oliveira Coelho, professor da rede estadual de ensino