Não vão quebrar as nossas asas.

A liberdade é uma conquista humana histórica.

Desde os momentos iniciais, dos seres humanos ainda vivendo no limite entre os ancestrais primatas e o grupo hominídeo, até os dias em que estamos, sentir a liberdade parece ser um anseio muito nosso!

Ao longo do tempo, a vida em sociedade nos coloca muitos desafios, desde nos entendermos como partes de coletividades, até sabermos como estarmos juntos sem nos agredirmos ou não respeitar as diferenças.

A pandemia de Covid 19 aumentou os desafios. Isolamentos, sensações de solidão e medo tomaram conta de nossas cabeças e almas. No caso do Brasil, somamos a esse mal sanitário uma conjuntura sócio-política bem complexa. Ações de grupos sociais que buscam limitar avanços históricos nos Direitos Humanos (em questões étnico-raciais, de gênero e sexualidade, sobretudo) potencializam uma série de dificuldades econômicas e políticas que o país vem enfrentando ao longo dos últimos anos.

Os aumentos abusivos de preços nos supermercados, a alta do gás de cozinha e da luz elétrica chegam num momento crucial em que o aumento (tardio) da velocidade da vacinação em massa contra o SARS COV2 colabora em parte para um futuro controle da epidemia. As dificuldades sociais gritam em nossos ouvidos que nossa história ainda parece ser a de uma elite que não se preocupa com os destinos coletivos amplos, mas permanece aliada a projetos de submissão daqueles que são historicamente oprimidos: os indígenas, as mulheres, as negras e negros, LGBTQIA+ e todos que não fazem parte da histórica parcela da população que não se ocupa dos problemas concretos da sociedade brasileira e faz discursos constantes contra as liberdades conquistadas a duras penas pelo povo.

Foto: ONU Brasil/Karina Zambrana

Não é demais lembrar que campanhas em redes sociais têm sido comuns na tentativa de desqualificação de grupos que lutam pelos seus direitos com legitimidade, como os povos ameríndios nativos, somente para citar um exemplo que salta aos olhos. A tentativa de aprovação de um marco temporal indígena cuja consequência pode ser a perda de espaço de muitos habitantes e descendentes diretos dos povos originários para dar lugar a interesses econômicos ainda mais destrutivos, sobretudo nas regiões que circundam a Amazônia, ameaçada cada vez mais pelo capitalismo em sua essência.

Foto: Mídia Ninja

Não é demais lembrar, também, que a proteção à natureza faz parta das estratégias apontadas pelos cientistas no mundo inteiro para que contenhamos possíveis outras doenças que podem se alastrar pandemicamente. Em outras palavras, a nossa liberdade de existir está ligada à liberdade da natureza existir.

Os indígenas sempre souberam disso.

Em outro vetor dessa conjuntura, mulheres, negros e LGBTQIA+ são agredidos constantemente (muitas vezes através de organismos oficiais) a partir de discursos conservadores que em verdade querem defender direitos garantidos na história através da submissão e da violência. O racismo, a misoginia, a transfobia e homofobia sustentam estruturas que estão diretamente ligadas à manutenção de situações em que grupos se acham no direito de violentar outros. O Brasil mata constantemente pessoas negras, mulheres e LGBTQIA+ pelo fato simples de serem pessoas negras, mulheres e LGBTQIA+. Isso não é certo, você não acha?

Bandeira do Orgulho Trans

Para ir terminando – por ora – essa prosa , pensemos na liberdade, que inicia nosso papo. As asas de uma borboleta nasceram para voar, tal como cada um de nós nasceu para ser e existir. Estamos tristes no Brasil, mas podemos projetar nosso futuro refletindo e agindo de maneira que as opressões sejam combatidas. Os preços altíssimos, os cenários políticos nacionais desgastados e a crença de muitos num mundo para poucos não podem nos tirar do papel histórico de resistir e sobreviver.

Nossa espécie precisa seguir.

Ah! Tenho uma dica para você. Para nos animar, que tal assistir um pequeno vídeo sobre os povos indígenas no sul da Bahia?

Acesse na Plataforma Anísio Teixeira:

http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/conteudo/exibir/10988

Até mais!

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