RABISCO DA VIDA DE PROFESSOR

Por: Giselly Oliveira

Ao nos debruçarmos em nossos constantes planejamentos, percebemos o quanto “é fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática”- Freire, afinal ser professor realmente não é uma profissão que se exerça por motivos ímpares, o que nos move realmente é a paixão pela profissão.

Ao olharmos nosso passado, uma, duas ou mais décadas nos faz crer que a educação é o único caminho para transformação social e quão orgulhoso ficamos ao comprovar a ascensão de nossos alunos. Sonhos do início da carreira nunca morrem, apenas modificam-se, nos tornamos mais realista, entre tantas escolhas a educação especial é mais importante, desde que na perspectiva da inclusão, assegurando a junção de deficientes a outros no ensino regular; aprender e reaprender é a grande dádiva da vida de um professor.  

A modalidade abraça diferentes ramificações, muitas vezes desconhecidas não só pela sociedade, mas por aqueles que tem o direito, estabelecido na Constituição brasileira, que o cita como fundamental, objetivando o desenvolvimento pleno da pessoa, ou seja, em todos os aspectos e dimensões e seu preparo para viver e participar da sociedade – cidadania, estando preparado para o trabalho, em outras palavras os atuais pilares educacionais.

Sala de recurso, centro de   pedagógico, classe hospitalar e domiciliar, entre outro, ofertados, na maioria dos estados brasileiros, fornece suporte para o processo ensino- aprendizagem da escola regular. Na Bahia prova disso é o Sarahdo – Serviço de Atendimento à Rede em Ambiências Hospitalares e Domiciliares, da Secretaria da Educação do Estado implantado, em 2018 , a priore no Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) e em alguns domicílios, em Salvador, representa,  acima de tudo reconhecimento, para estes, de uma educação inclusiva, devolvendo sua integridade.

Atuar como docente, foi uma experiência singular, fazer educação em ambiência hospitalar e/ou domiciliar transcende a ideia de fazer educação, simplesmente por fazer, tudo ganha um novo sentido. O ato pedagógico parte de uma ideia de formação de valores, respeito ao próximo, às individualidades e formação do ser na sua integridade, desta forma, o direito assistido a estes reforça o verdadeiro papel da educação.

Perceber as impossibilidades dos alunos-pacientes de frequentarem a escola regular, possibilitar a continuidade desses estudos é redirecionar sonhos do início da carreira, reforçando a necessidade da inclusão educacional defendendo as medidas necessárias, de forma a oferecer o pleno desenvolvimento do docente.

O desafio do professor na ambiência hospitalar é despertar e perceber quão singular se dá o “fazer educação” em um ambiente tão peculiar.  Precisa-se realinhamento de conteúdos, respeito as competências e habilidades de cada aluno-paciente, verificando o que ele já traz consigo e, a partir daí, dando sequência ao aprendizado, ou seja, reconhecer as diferentes trajetórias de vida dos educandos implica flexibilizar os objetivos, os conteúdos, as formas de ensinar e avaliar, em outras palavras, contextualizar e recriar o currículo, nada diferente do que deveria ocorrer nas escolas, de todo país, que almeja equipar o ensino.

Em suma, a classe hospitalar/ domiciliar me fez avistar uma estreita relação com o contexto em que é utilizado, sendo, por isso mesmo, impossível separar os aspectos cognitivos, emocionais e sociais presentes nesse processo. A formação dos alunos não pode ser pensada apenas como uma atividade intelectual. É um processo global e complexo, onde conhecer e intervir no real não se encontram dissociados.

Mestra em Linguística Aplicada
🌷 Professora da rede estadual