O Elevador do Taboão – o resgate da história entre altos e baixos

Por: André Soledade

Contagem regressiva para Salvador ter de volta um dos ascensores urbanos mais importantes da cidade. Fechado há mais de 54 anos, o elevador do Taboão está em fase final de reforma e será entregue à população ainda no mês de setembro. Provavelmente, você nunca tenha ouvido falar dele, mas o elevador do Taboão, também conhecido como “balança do Taboão”, foi juntamente com o Elevador Lacerda um dos primeiros ascensores verticais da cidade de Salvador e, por muito tempo, foi um dos principais meios de ligação entre os bairros do Comércio e Pelourinho. A partir de setembro, quando for inaugurado, ele passará, juntamente com o elevador Lacerda e os Planos Inclinados Gonçalves, Liberdade e Pilar, a integrar o conjunto de ascensores da cidade, tornando-se mais uma opção de transporte entre as Cidades Alta e Baixa.

Torre do Elevador do Taboão após a restauração
Fonte: skyscrapercity
Estação de embarque e desembarque Pelourinho após a  restauração
Fonte: skyscrapercity

O Elevador do Taboão foi o segundo ascensor vertical da cidade, começou a ser construído no início de 1891, pela mesma companhia que havia construído o elevador Lacerda, e sua conclusão e inauguração ocorreu em 1896. O projeto foi concebido na Inglaterra, e o maquinário, movido a vapor, foi trazido das oficinas de W.G. Armstrong, em Newcastle. A preferência pelo ferro na confecção da torre de elevação, de 28 metros de altura, em detrimento da alvenaria, conferiu à construção uma identidade moderna, nunca vista antes na cidade. A torre abrigava duas cabines de passageiros que se contrabalanceiam, daí o nome de “Balança do Taboão”. Esse sistema tem como princípio de funcionamento a Máquina de Atwood, que consiste em dois corpos de massas idênticas presos por uma corda que passa sobre uma roldana fixa. Esse tipo de mecanismo permitia controlar o movimento de subida e descida das cabines sem exigir do sistema hidráulico um torque muito grande. Esse mesmo sistema também havia sido adotado na recém-inaugurada torre Eiffel, em Paris, e permitia vencer o desnível de mais de vinte metros entre os seus platôs em apenas 3 segundos, o que representou um grande avanço tecnológico para a época. A água que alimentava o sistema a vapor do elevador do Taboão, necessário para o fornecimento da pressão hidráulica, era drenado por convecção através de tubos de ferro ligados ao mar, que se encontrava a 200m dali; essa água depois de ser condensada e utilizada (cerca de 6.500 barris diários) para a ascensão dos camarins, era novamente lançada ao mar. As caldeiras, no entanto, eram alimentadas por água doce que minavam da rocha, sobre a qual foi construído o ascensor. 

Elevador do Taboão no início do século XIX
Fonte: Memória da eletricidade

Em 1959, depois de 68 anos de operação, o Elevador do Taboão foi desativado, demarcando assim, o início do processo de decadência social e econômica do centro tradicional da cidade. De lá para cá, a Balança do Taboão ficou abandonada, e a ação do tempo e o vandalismo acabaram deixando-a em escombros, restando apenas a torre metálica e as ruínas dos prédios de embarque e desembarque.  

Ruínas do Elevador do Taboão
Fonte: Jornal À Tarde
Ruínas do Elevador do Taboão
Fonte: Jornal À Tarde

Em 2010, a Prefeitura Municipal de Salvador e o Governo do Estado da Bahia lançaram um projeto de requalificação da Cidade Baixa, denominado Nova Cidade Baixa. O projeto de requalificação previa uma série de ações urbana, ambiental e paisagística na Cidade Baixa, entre elas estava a recuperação do Elevador do Taboão e a construção de outros quatro ascensores, o que resultaria em um total de nove equipamentos do tipo em funcionamento ao longo de aproximadamente quatro quilômetros de encosta. No entanto, só agora, em 2021, o projeto de recuperação do Elevador do Taboão saiu da gaveta. 

Segundo a prefeitura de Salvador, foi realizada a restauração integral do elevador e das duas estações de acesso nos níveis inferior e superior, além de intervenções de modernização das instalações, buscando adequar a edificação às normas técnicas vigentes, inclusive de acessibilidade universal. Com isso, a capital baiana ganhará mais um ponto turístico, resgatando a história e a beleza de um dos equipamentos mais raros do mundo.

André Soledade é prof. da Rede Estadual de Ensino do Estado da Bahia e Mestre em Modelagem Computacional.

Referências:

DE ANDRADE JUNIOR, Nivaldo Vieira. A rede de ascensores urbanos de Salvador: do Guindaste dos Padres aos dias de hoje. 2012.

Azevedo, P. (2007). Um elevador liga o passado à modernidade.

Fontes, É. S. (2012). Transporte urbano em Salvador: uma análise crítica dos planos diretores da cidade.

de Andrade Junior, N. V. LIGANDO TEMPOS E ESPAÇOS.

Saes, A. M. (2007). Modernização e concentração do transporte urbano em Salvador (1849-1930). Revista Brasileira de História27, 219-238.

https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/fechado-ha-54-anos-elevador-do-taboao-sera-restaurado-e-reativado/