STREAM, TBL, PBL ,DT… Ufa!

Por: Monica de Oliveira Mota

Você já observou como o acesso ao conhecimento está cada vez mais amplo e com infinitas possibilidades? A situação imposta pelo distanciamento social devido ao contexto pandêmico tem alterado e exigido novas rotas e diferentes alternativas no contexto educacional.

          Muitas são as oportunidades para engajar e empoderar os estudantes nos seus processos de aprendizagem. As metodologias que se aproximam do cenário educacional vão traçando e desenhando diferentes perspectivas. Esse novo cenário tem ampliado cada vez mais o diálogo e os estudos epistemológicos entre os teóricos em muitas metodologias.

Vale salientar que uma educação de qualidade deva estar inserida em um contexto social e estruturado para suster toda a dinâmica exigida nesse complexo processo em que todas as partes interessadas precisam estar envolvidas.

O foco proposto pelas Metodologias Ativas está centrado na atitude e na criatividade do estudante sem perder de vista, contudo, a mediação pedagógica, pois as vozes dos professores e dos estudantes devem ecoar  em todo o processo educacional.

           STEM, STEAM, STREM, STREAM, TBL, PBL ,DT... Ufa! Nossa Educação está cada vez mais repleta de siglas! Mas não devem ser encaradas como um dernier cri.  Elas formam um ecossistema que propõe um modelo disruptivo de educação.

 Os acrônimos são oriundos da Língua Inglesa que significam e propõem alternativas metodológicas para o processo educativo, mas o que significam tantas siglas?

          “STEM” é a integração de áreas como Science, Technology, Engineering e Mathmatics.

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Educaci%C3%B3n_STEM.jpg

           Com o posterior acréscimo da “Art” passou a ser denominado STEAM. Dada a incomensurável contribuição oferecida por essa área do conhecimentopela amplitude que  se  pode contribuir em suas diferentes expressões de leituras de mundo e pelo potente veículo de compreensão de fenômenos sociais que transitam na cultura, arquitetura, literatura, música, cinema, fotografia dentre outros.

          O STEAM consiste em uma metodologia integrada e centrada em projetos para  promover  a formação de estudantes na elaboração e resolução de desafios. Mas e as humanas, ficaram de fora?

                    Não! Existem outras composições e variações que versam pela mesma lógica que são o “STHEM” e o “STREAM”. No primeiro, há o acréscimo da  área de Humanas, já o segundo, acrescenta o Reading que explora a capacidade de leitura e interpretação, tão essenciais ao processo da aprendizagem, haja vista que, na atualidade, os  multiletramentos estão para além da forma impressa da leitura e,exige do estudante, níveis mais avançados de letramentos. Esses formatos levam à dimensão transmídia da produção, em virtude do caráter multimodal e da cultura digital que novas formas de linguagem são possibilitadas pela de convergência das mídias que chegam às escolas através dos contributos das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) apresentadas como ênfase no texto original da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

          A BNCC do Ensino Médio  apresenta a necessidade de colocar o estudante no centro do processo da aprendizagem e, o vê como produtor em potencial. Por essa razão, ela traça uma nova arquitetura de ensino e apresenta as habilidades específicas a serem desenvolvidas no período de 1.800 horas nessa fase da Educação Básica.  

O currículo  estrutura, organiza, aprofunda, explora, contextualiza todo o processo e aponta os itinerários formativos  como a parte flexível do currículo  que devem ser alinhados  à  parte comum, conforme  for discutido e definido por cada estado, pelos conselhos estaduais, pela escola, pelos professores e pelos estudantes, sem perder de vista, o desenvolvimento das 10 competências gerais,   respeitando a heterogeneidade, a pluralidade e aspirações dos estudantes. Como fica expresso no seu documento: “Cada área do conhecimento estabelece competências específicas de área, cujo desenvolvimento deve ser promovido ao longo dessa etapa, tanto no âmbito da BNCC como dos itinerários formativos das diferentes áreas.” ( BNCC p.33)

          O processo da aprendizagem e do ensino é alinhado dentro da lógica e da perspectiva da colaboração, integração, do pensamento científico e criativo, personalização do ensino, flexibilização, a autonomia e a inovação de metodologias  com  o auxílio das TDIC como um dos meios para se chegar às novas trilhas  de aprendizado.

          A disrupção do processo educativo altera a forma de fazer.  Exige um pensar “fora da caixa” e se opõe  à fragmentação do ensino. Isso amplia a compreensão de que, na atualidade, a escola não mais, por excelência, é o lugar privilegiado de encontro com o saber. Claro, que a sala de aula transborda o processo e, não perde seu lugar na construção desse conhecimento.

          A educação tem se desenvolvido em diferentes contextos onde os atores humanos e não humanos são os principais agentes dessa nova proposta de ação redesenhada pelas fronteiras do espaço e do tempo onde o caráter colaborativo e interativo imprimem   valor totalmente disruptivo sem barreiras e muros  resultado do   Blended learning  ou Educação Híbrida  possibilitado  e ampliado pelas TDIC. Escute o podcast e tire suas dúvidas!

http://pat.educacao.ba.gov.br/recursos-educacionais/conteudo/exibir/11100

Esse aporte dado ao processo educativo mediado pelas tecnologias surgem as Edtechs fusão de education (educação) com technology (tecnologia) que são startups dedicadas no desenvolvimento de soluções para a educação, tendo as tecnologias como aliadas. Para além de somente desenvolver soluções, essas startups investem pesado em tecnologias, personalizam a educação e estruturam o novo cenário da Educação 4.0.

Para saber mais sobre as startups educacionais você pode encontrar no Blog da Rede em post anterior  que aborda tal temática. Um ideia criativa, um estilo inovador, tecnologias como aliadas do processo e tantos outros podem fazer surgir grandes  startups  e empreendedores! http://pat.educacao.ba.gov.br/recursos-educacionais/conteudo/exibir/8291

 Na essência, muitas delas propõem a mudança no formato  de trabalhar as aprendizagens das diferentes áreas do conhecimento para que assumam uma dimensão mais integradora, criativa, interativa e interdisciplinar. Vale pontuar, que toda e qualquer proposta deva estar em consonância com os interesses dos estudantes e, que nem sempre inovar, é acrescentar algo novo. Isso mesmo! É mister afirmar que a inovação não consiste na inserção de algo novo! Pois, a inovação permite apresentar duas realidades: a inovação complementar e a inovação disruptiva

Você sabe a diferença? Acerca dessas inovações, assista ao vídeo e veja o que  diz Priscila Gonsales:

 http://pat.educacao.ba.gov.br/recursos-educacionais/conteudo/exibir/11127

 Para além de tantas possibilidades, existem ainda a TBL-Team Based Learning Aprendizagem Baseada em Equipes que privilegia a aprendizagem colaborativa, estimula as discussões entre as equipes. Os estudantes têm a oportunidade de desenvolver atividades significativas sem a necessidade aparente de orientações rigorosas e específicas para  que possam desenvolver suas ações já que elas são construídas ao longo do processo.  Nessa perspectiva a TBL centra na autonomia dos estudantes para o cumprimento de tarefas, pesquisas exigindo suas habilidades e competências de áreas do conhecimento que façam parte do  processo.

Já  a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) ou Problem-based Learning (PBL) é uma metodologia de ensino e aprendizagem diferenciada que pode ser utilizada na sala de aula do século XXI. Ela surge da área de saúde com ampla aceitação em outras áreas do conhecimento. Ela possibilita problematizar conteúdos de diferentes disciplinas e exige enfrentamento de desafios e capacidade para resolução de problemas reais ou ficcionais. Os estudantes são estimulados e desafiados na realização de tarefas mediante exposição proposta pelo professor como forma de motivar, provocar e aplicar os conhecimentos práticos e teóricos.   

A partir dos estudos  do  pesquisador Rosenshine, em desvendar a aquisição de novas informações pelo cérebro, estabeleceu estratégias metodológicas facilmente aplicadas em qualquer proposta educacional como um meio a garantir melhor desempenho na aprendizagem.

 E o DT? Ufa! Mais uma! Para finalizar, mas sem esgotar a discussão, o  Design Thinking trata-se de uma metodologia baseada no processo criativo centrado no sujeito. Pelo fato de o conceito ser oriundo  da área de Design, há bastante exploração de formas, cores, títulos, desenhos, símbolos que compõem a estruturação do aprendizado por meio dessa metodologia, pois ela propõe traçar o aprendizado desenhado no processo interativo na busca de estratégias de soluções e em  organizações de ideias criativas. Assista ao vídeo e saiba mais!

http://pat.educacao.ba.gov.br/recursos-educacionais/conteudo/exibir/11167

          Enfim, o texto não tem a pretensão de esgotar a temática, aqui apresentada, mas ampliar a curiosidade e interesse aos que queiram buscar conhecer mais sobre essas realidades que, não devem ser encaradas como modismos, mas necessidades prementes bem amadurecidas no processo educacional.

Monica de Oliveira Mota

Prof. da rede Estadual de Ensino