Ensinar a aprender

Luisa no Computador. Imagem de Rui Ornelas.

A pandemia de Covid-19 e, por conseguinte, o fechamento das escolas,impôs aos estudantes, a necessidade de fazer a autogestão da aprendizagem, no isolamento de suas casas.

Estudar sozinho não é fácil, a aprendizagem direcionada ou mediada pelo professor é regra na maioria das escolas. A autogestão da aprendizagem requer dos adolescentes habilidade para administrar a agenda de estudos e a interação com os demais membros da família. O desafio emocional é manter o foco driblando as distrações e a procrastinação.

A autogestão faz parte das competências preconizadas pela BNCC, refere-se aos aspectos  socioemocionais e é definida como: gerenciamento eficiente do estresse, controle de impulsos e a definição de metas. Ao se apropriarem dessas habilidades os estudantes poderão se fortalecer para passar por situações desafiadoras nas relações com seus pares, o bullying é um bom exemplo disso. Além do que, ser proficiente em termos socioemocionais é essencial para que cada estudante seja capaz de se se organizar para estudar traçando e seguindo critérios próprios e metas de aprendizagem. Em sua Pedagogia da autonomia Paulo Freire defende que no fundo, o essencial nas relações entre educador e educando é a reinvenção do ser humano no aprendizado de sua autonomia (FREIRE, 1996, p.105)

É importante pensar também que a pandemia trouxe à tona e aprofundou a desigualdade social,  a assimetria de renda entre as famílias define as possibilidades de acesso ao conhecimento de cada estudante. Quantos notebooks há nas casas dos estudantes brasileiros para serem distribuídos entre pais e filhos, tendo em vista que os pais estão em trabalho remoto e os filhos devem manter suas rotinas de estudo? Segundo o IBGE 46 milhões de brasileiros não tem acesso a internet, o que perfaz 25,3% da população. Nesse  percentual estão estudantes que são excluídos do processo educacional.

As famílias que conseguem dar aos seus filhos computadores, espaço apropriado e tempo reservado  para cumprir a agenda de estudos e até mesmo um ambiente familiar harmônico tem chances maiores em relação aos outros, sem acesso a esses mesmos itens.  A pandemia não foi estimada ou anunciada, então as escolas não tiveram tempo para ensinar aos estudantes algo que é essencial: ensinar a aprender.

Uma estratégia eficiente de aprendizagem começa com a organização de uma rotina de estudos em casa. Pensando nisso, o Instituto Anísio Teixeira elaborou e disponibilizou através da Plataforma Anísio Teixeira, rotinas de estudo que podem ajudar pais e filhos no planejamento do seu tempo juntos. Os conteúdos estão separados para cada tempo escolar e dia da semana.

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Valdineia Oliveira

Prof. de História da Rede Estadual de Ensino

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