Impressoẽs encantadas da FLIPA

Banner da I Feira Literária de Palmeiras – Foto: Marcus Leone

 

Encantamento é a palavra que, para mim, melhor define a vivência que eu e meus companheiros do Instituto Anísio Teixeira (IAT) tivemos na Feira Literária de Palmeiras (FLIPA) – 2019.

 

Desfile das escolas locais apresentando personagens da obra de Jorge Amado – Foto: Marcus Leone

 

Em sua primeira edição, a feira literária apresentou, nas ruas de Palmeiras, maravilhas. Nesse sentido, destaco aqui dois aspectos que encheram os olhos dos palmeirenses e, sobretudo, os nossos, visitantes na cidade.

 

Abertura da FLIPA (professoras organizadoras do evento, personalidades ligadas à Literatura baiana e autoridades locais) – Foto: Marcus Leone

 

Professoras e estudante apresentando uma ala do desfile sobre Gabriela Cravo e Canela, obra de Jorge Amado – Foto: Marcus Leone

 

O espírito colaborativo em prol de uma educação de qualidade me  chamou muito a atenção. Foi impactante sentir e presenciar a escola passear pela cidade literalmente nos braços do povo. Todos, de muitas formas, contribuíram para o sucesso do evento. “D. Maria”, por exemplo, ao se debruçar na janela para ver as fanfarras e as crianças passarem, mostrou-se feliz e nostálgica. Era perceptível que ela se via também ali, desfilando, sendo parte de tudo aquilo.

 

Desfile das escolas locais – Foto: Marcus Leone

 

“D. Maria (nome fictício) assistindo ao desfile da janela” – Foto: Marcus Leone

 

O maestro da Sociedade Filarmônica Santa Cecília voava na regência dos músicos e, sobretudo, na poesia tocada ali. Era tão contagiante sua forma de reger que, em alguns momentos, enquanto filmava o desfile, me vi repetindo seus passos e arriscando alguns voos também. As professoras, guerreiras sensíveis, levavam o futuro a desfilar pela cidade com todo o carinho. Ali, estudantes e professores eram como um só corpo, a boa cumplicidade em movimento. Acredito que Educação de sucesso tem muito de afeto.

 

Maestro da Sociedade Filarmônica Santa Cecília – Foto: Marcus Leone

 

Estudantes e professora no desfile – Foto: Marcus Leone

 

Também foi muito gratificante ver, por parte das autoridades presentes, o reconhecimento docente que, com muita dedicação e carinho, plantaram a ideia da feira literária ainda na escola e, a partir daí, se ampliou para a cidade. Sem dúvida, em um futuro próximo,  a FLIPA também será notícia no mundo. Em praça pública, durante a abertura do evento, o prefeito, a secretária de Educação e outras personalidades presentes, versaram sobre esse aspecto. Talvez seja exatamente isso, a valorização, o apoio ao trabalho dos professores e o cuidado com as crianças, que faz com que a escola reverbere possibilidades interessantes de desenvolvimento da Educação. Realmente foi muito bom ver isso de perto.

 

Estudantes assistindo à mesa “A Bahia de Jorge, Jorge da Bahia” com o professor Dr. Gildeci de Oliveira Leite – Foto: Marcus Leone

 

Estudantes da Fanfarra local – Foto: Marcus Leone

 

Poderia falar muitas coisas ainda sobre a FLIPA, mas certamente não faltará oportunidade. 2020 chegará iniciando novas possibilidades literárias em Palmeiras. Jorge Amado, como homenageado da edição 2019, foi uma escolha muitíssimo acertada. A Bahia diversa, de resistência e, ao mesmo tempo, de peculiaridades interessantes apresentadas na obra de Jorge é fundamental para formação e afirmação de nossa identidade afro-baiana.

No que diz respeito ao estímulo à leitura e ao cuidar da Educação, considerando o significado da palavra africana UBUNTO, “sou o que sou pelo que nós somos”, a cidade de Palmeiras evidenciou isso e representou bem a Bahia.

 

Estudantes se preparando para o desfile – Foto: Marcus Leone

 

Quando um grande amigo, o professor Gildeci de Oliveira Leite, falou da presença de Quincas – um dos grandes personagens amadianos – na abertura do evento, de imediato fiquei sem entender, mas após um tempinho, percebi que tinha razão. Ele se referia a um homem da localidade que, no bom estilo do personagem Quincas, se misturou às apresentações e festejos do momento. Entendi que através dessa figura pitoresca e verossímil, Jorge Amado se fez presente e abençoou o evento. Salve Jorge Amado! Salve a Feira Literária de Palmeiras! No aguardo ansioso para o ano que vem. Vamos em frente!

 

Porta-bandeiras no desfile – Foto: Marcus Leone

 

 

Até a próxima! Tchau!

Marcus Leone Oliveira Coelho, professor da Rede Pública Estadual de Ensino

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