Dia do trabalhador, Educação Pública e o respeito à história: vamos falar sobre isso?

O primeiro de maio é comemorado em várias partes do mundo como o Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador. A data tem origem em manifestações operárias ocorridas em Chicago, (Estados Unidos da América), em 1886, desembocando em outros momentos de luta por melhorias nas condições de trabalho em outras partes da Europa.

No Brasil, o primeiro de maio ganhou espaço a partir de 1917, quando ocorreu uma greve geral de proporção significativa na cidade de São Paulo. Em 1925, o então presidente Artur Bernardes declarou a data feriado, mas somente com a emergência da Era Vargas, o primeiro de maio foi se transformando em uma “festividade cívica”, perdendo gradualmente o caráter revolucionário e de reivindicação política originário.

É importante saber que as lutas dos trabalhadores no mundo ocidental se iniciaram a partir do século XIX, seguindo o desenvolvimento do sistema capitalista, que vem sendo pautado pela exploração constante da mão-de-obra operária (em diversas modalidades e níveis) em nome da manutenção do lucro dos empresariados (de diversas modalidades e níveis), ao longo da história. É possível pesquisar sobre isso, lendo diversas correntes da Sociologia, Filosofia e Economia.

As ideias dos Socialistas Utópicos,  a análise minuciosa de Karl Marx e Friedrich Engels, bem como os estudos de Antonio GramsciEdward Palmer ThompsonEric Hobsbawn,  podem auxiliar no aprofundamento desses temas e valem a pena serem analisadas. Não é demais lembrar o quanto o movimento anarquista, cujo conceito em torno de um sociedade sem estado levaria a possibilidades mais profundas de autonomia dos sujeitos, ou seja, maior liberdade de ação individual e coletiva teve influência no desenvolvimento das lutas dos trabalhadores.

Manifestação no Porto no 1º de Maio de 1980 – Portugal

O primeiro de maio requer de todxs nós uma atenção grande, pois, em algum momento da vida, somos/seremos/fomos atuantes no mundo e no mercado de trabalho. Independentemente de convicções e adesões políticas e ideológicas, é possível perceber o quanto a distribuição das riquezas produzidas ao longo da história da humanidade não consegue dar conta da socialização de bens para o bem-estar coletivo. Os dados a respeito  da relação entre o que é produzido e quantos são realmente beneficiados pela produção de matérias na Terra demonstra que precisamos exercitar a reflexão a respeito de uma balança que pode ser mais equilibrada, sobretudo para diminuir a fome e a miséria global.

Em, 2017, da riqueza produzida no planeta, 82% ficaram retidas nas mãos de 1% da população. Da mesma forma, 3,7 bilhões de pessoas não tiveram riqueza em suas mãos, o que significa estado de pobreza ou miséria extrema. No Brasil, cinco pessoas consideradas bilionárias possuem patrimônio que equivale à metade do patrimônio do país. Cinquenta por cento dos mais pobres reduziram sua “riqueza” de 2,1% para 2%, segundo dados do relatório “Recompensem o trabalho, não a riqueza”, lançado pela Oxfam (uma confederação global de combate à pobreza, desigualdades e injustiças), no início de 2018.

É triste perceber o quanto o trabalho realizado no planeta acaba não retornando em termos práticos para aqueles que realizaram. A matemática demonstra em números. A vida cotidiana aponta em processos. A história do Brasil – repleta de desigualdades sociais, raciais, de gênero – nos dá elementos para pensarmos sobre nossa ação no mundo.

Nesse sentido, a Educação é necessária para pensarmos nossa vidas. A Educação Pública (nos níveis Básico e Superior) é um instrumento de construção de um mundo melhor. No ambiente de educação propiciada pelo Estado espera-se que o conhecimento produzido sobre a realidade possa ser compartilhado e problematizado na relação constante entre estudantes (futuros trabalhadores) e professores (profissionais do educar), mediados por diversas modalidades de ensino.

A Educação Pública – financiada pelo dinheiro dos impostos que todxs pagamos a todo tempo – é uma via de alimentação da civilidade e da autonomia de uma sociedade que se pretende democrática e menos injusta, nos contextos de sistemas ainda desequilibrados em termos da distribuição do que é produzido neste planeta.

Dessa forma, os trabalhadores brasileiros merecem respeito, tanto no dia primeiro de maio, quanto nos demais dias do ano! A Educação Pública merece atenção e força de todos os setores sociais comprometidos com um país menos desumano. É na escola que se formam possíveis agentes de transformações necessárias. É na escola e Universidade públicas que historicamente se vêm construindo conhecimento de utilidade pública, na saúde, tecnologias, reflexões filosóficas, sociológicas, antropológicas, políticas, desde o início do século XX, quando se afirmou a necessidade da educação pública organizada no nosso país.

Precisamos valorizar os trabalhadores e seguir em ações e formações cada vez mais humanizadoras, seja na escola, seja no mundo do trabalho, 

Que tenhamos um mundo mais agradável à frente!

Aproveito para convidar vocês a assistirem um episódio do Quadro Ser professor, da TV Anísio Teixeira / Rede Anísio Teixeira / Instituto Anísio Teixeira / Secretaria da Educação da Bahia.

Vamos nos inspirar em experiências bacanas do trabalho de professores na Escola Pública da Bahia?

 

Carlos Barros é professor de História da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia, cantor de música popular, Mestre em Ciências Sociais e  pesquisador das relações entre música popular, História e Sociologia brasileiras.

Publicações relacionadas

Dia do trabalhador, Educação Pública e o respeito à história: vamos falar sobre isso?

Nossos Colaboradores