Sobre decretos e livros

 

Olá, pessoal!

Há quem diga que os jovens não se interessam mais por livros. Será?

Em 1890, por força de um decreto, o dia 09 de abril foi instituído como o dia da biblioteca. Tal decreto tinha o objetivo de ressaltar o papel da leitura na formação básica dos indivíduos. Naquela época, leitura e conhecimento eram pressupostos de uma cultura letrada, que valorizava o papel dos professores, bibliotecas públicas e, sobretudo, o hábito de ler.

Biblioteca de Montserrat. Por: Xavier Caballe

Essa imagem da biblioteca estática, silenciosa, com seu rico acervo, atrai muitas pessoas, amantes do conhecimento. Ao passo que esse mesmo ambiente deixou de ser atraente por  aqueles  que optam por se informar através dos dispositivos móveis, mídias  sociais, muitas vezes, sem se dar ao tempo de checar as fontes e  a veracidade dos dados difundidos. 

O incremento dessas formas de aquisição de conhecimento acontece associado a dados preocupantes:  segundo o Instituto Pró-livro 30% dos brasileiros nunca compraram um livro.  A  Bahia tem 1.5 milhões de analfabetos, segundo dados do IBGE.  

Esses números  demonstram a relação dos brasileiros com a leitura e a aquisição do conhecimento. A biblioteca como espaço  principal de compartilhamento dos livros sofre, na contemporaneidade, um esvaziamento de sua função e sentido, com isso todos nós perdemos, ao final, os livros representam  o “repositório de tudo o que foi feito de melhor, pelo homem, nas artes e na ciência”
(DEBRAY, 1996, p. 141).

 

O gosto pela leitura deve ser despertado na infância, é a família quem tem a função mais importante nesse processo, estimulando na criança o hábito de ler. Os pais devem incluir na rotina das crianças momentos de contação de histórias, que são oportunos para enriquecer o repertorio criativo e a imaginação,  interpretação e gosto pela leitura.  Associado à família, a escola tem papel fundamental no sentido de estimular os estudantes à leitura e aquisição de livros, através de ações planejadas para esse fim. 

NO Brasil, muitas ações foram implementadas com o objetivo de fomentar o acesso ao livro e o estímulo à leitura. Dentre elas, uma das mais importantes foi a criação em 1992 do Programa Nacional de Incentivo a Leitura – PROLER.

A despeito desse panorama, a leitura é um hábito cultivado por muitos  brasileiros. Ao  final, as formas de aquisição do conhecimento se transformaram, como tudo o mais na sociedade. Os jovens continuam se interessando  pela leitura e manifestando isso por meios alternativos, um deles são os canais literários  no qual expressam sua paixão por livros. Cito alguns exemplos:

Favoritos: livros legais e divertidos.

Vamos ler

Nuvem Literária 

Literamigas 

 Além da profusão dos canais  literários, as feiras são uma nova expressão do amor pelos livros e vem se disseminando pelo país, com destaque para a FLIP em Parati.

Quinta Festa Literária Internacional de Paraty – FLIP 2007

Na Bahia, a cidade de Cacheira realiza anualmente  a sua festa literária FLICA já na oitava edição com muito sucesso. Em Salvador temos a FLIPELÔ e também a  iniciativa recente da festa literária internacional da Praia do Forte,  a FlIPF que acontecerá em maio de 2019. 

Desde o decreto de 1890 até os dias atuais, a sociedade passou por muitas transformações, o modo de amar os livros também. Mas esse amor pode se fazer sentir, socialmente, em uma miríade de  iniciativas, as que foram apresentadas aqui são apenas tópicos, muitas mais podem ser acrescentadas. Participe também na sua comunidade, escola família, cultive o hábito de ler.     

 

Valdineia Oliveira

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia.

 

 

 Para saber mais:

JEFFMAN, Tauana Mariana Weinberg. A materialidade e a afetividade do livro na era digital. Disponível em: file:///C:/Users/valdineiasantos.iat/Downloads/GTMIDDIG_JEFFMAN-%20Tauana.pdf

[1] Disponível em: https://g1.globo.com/politica/blog/matheus-leitao/post/2019/01/06/retratos-da-leitura-no-brasil.ghtml

 

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