A tragédia de Brumadinho!

No dia 25 de janeiro, na cidade Brumadinho, a cerca de 65 km de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, ocorria uma das maiores tragédias ambientais do país. Uma barragem, administrada pela mineradora Vale do Rio Doce, contendo 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração se rompia, soterrando uma série de propriedades que ficavam no entorno, deixando 201 mortos e 107 pessoas desaparecidas, entre eles, funcionários da mineradora, turistas e moradores locais. Além do prejuízo humano, a  lama avançou até o rio Paraopeba, um dos afluentes do rio São Francisco, onde a pluma de poluentes já avançou por mais de 125 km. A expectativa, segundo especialistas, é que ela seja contida pela represa da usina hidrelétrica de Três Marias, a 330 quilômetros de Brumadinho. Porém, há quem discorde dessa hipótese.

 Mas afinal de contas, o que é uma  barragem? Como elas funcionam?

As Barragens são estruturas utilizadas como reservatório para contenção e acumulação de substâncias líquidas ou de mistura de líquidos e sólidos provenientes do processo de beneficiamento de minérios. Inicialmente, é construído um dique para conter os rejeitos de minério e,  à medida que a barragem vai recebendo mais rejeitos, novas camadas são colocadas em cima do dique de partida. Esse processo é denominado de alteamento e pode ser obtido através de duas técnicas: a Montante e a Jusante. Na técnica a Montante, o corpo da barragem é construído com o uso da escória, utilizando alteamentos sucessivos sobre o próprio rejeito depositado. Esse processo é o mais utilizado, pois  é o mais barato e mais rápido, porém é a mais instável, já que a barreira de contenção é construída sobre camadas de resíduos. Esse tipo de técnica foi a mesma utilizada na construção das barragens de Mariana e Brumadinho.

Figura 01: Técnica de alteamento a Montante

Fonte: Vale do Rio Doce, disponível em http://www.vale.com

No processo de alteamento a jusante, o maciço da barragem é construído em solo compactado, independentemente do tipo de rejeito depositado na mesma e o alteamento se dá  para fora da barragem, ou seja, as novas camadas da barreira de contenção não são construídas sobre os rejeitos, o que fornece mais estabilidade a esse tipo de estrutura, tornando-a mais segura em relação a anterior. No entanto, esse tipo de construção possui um alto custo e um tempo de execução mais  elevado.

Figura 02: Técnica de alteamento a Jusante

Fonte: Vale do Rio Doce, disponível em http://www.vale.com

 

As leis da física nos ajudam a entender a estabilidade das barragens. De acordo com a lei de Stevin, a pressão exercida por uma coluna de líquido é diretamente proporcional a sua densidade, aceleração da gravidade e a altura da coluna do fluido, ou seja:

onde P representa a pressão na parede da barragem, μ é a densidade do fluido represado, g a aceleração da gravidade e h a altura da coluna de fluido.  Sendo assim, os pontos mais profundos da barragem estão sujeitos a uma maior pressão hidrostática. Como as barragens obtidas pela técnica de alteamento a jusante não são construídas  sobre os rejeitos, os pontos mais profundos das paredes de contenção suportam uma maior pressão, fornecendo, desse modo, uma maior estabilidade à construção. O mesmo não ocorre com as barragens obtidas a montante, já que o seu processo de construção se dá sobre os rejeitos de mineração.

Ainda é muito cedo para afirmar as causas dessa lastimável tragédia, porém já sabemos que as técnicas utilizadas na confecção das barragens e os procedimentos de segurança não foram prioridade da mineradora. A ausência de sistemas de alerta sonoro que fossem acionados independentes da circunstâncias, também potencializou o número de vítimas, já que nenhum tipo de alerta foi acionado no momento da ruptura. Além disso, a barragem que se rompeu foi construída em 1976 e ampliada em várias etapas e por diversos projetistas e empreiteiros. Houve, portanto, sucessivos alteamentos para montante, isto é, várias construções de degraus com os próprios rejeitos, o que aumentou mais ainda a pressão na base da barragem, facilitando assim o processo de liquefação.  

Assim, fica a lição de mais uma tragédia, mais um desastre ambiental, o segundo num intervalo de três anos! Quantas Marianas? Quantos Brumadinhos serão necessários para aprendermos?

Referências:

Mineradora Vale do Rio Doce. Disponível em: <http://www.vale.com/brasil/pt/paginas/default.aspx>. Acesso em: 16 de março de 2019.

Revista PlanetaRompimento de barragem em Brumadinho. fev/março 2019 – ano  48 – edição 546 – Editora Cátia Alzugaray

wikipedia. Rompimento de barragem em Brumadinho. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Rompimento_de_barragem_em_Brumadinho>. Acesso em: 16 de março de 2019.

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