Para além do verbo To Be


To be or not to be, that is the question!

 

Olá, pessoal!

Tudo bem?

Como anda o ensino da língua inglesa nas escolas públicas? Quais os desafios a serem superados? Quais possibilidades metodológicas são interessantes para esse processo de ensino e aprendizagem no contexto atual? Será que o verbo To Be é ainda o assunto recordista nas salas de aula?  Por quê? São muitas as perguntas e as respostas, mas o que importa aqui e agora, nesse pequeno texto, é refletirmos um pouco sobre o ensino de Inglês que acontece nas escolas públicas.

Iniciar esse escrito falando do verbo To Be, um dos assuntos básicos, um clássico das aulas de inglês, é aqui, muito menos uma discussão gramatical, linguística, e muito mais uma provocação para se refletir um pouco sobre em quais condições acontece, nas escolas públicas, o ensino dessa língua. Tomemos, nesse contexto, o referido verbo apenas como um “elemento de ligação”  entre o que se espera das aulas de Inglês nas escolas públicas, o que acontece de fato nos processos de ensino e aprendizagem e o que, em um contexto real, sobretudo a partir de agora, é possível fazer para seguir em sala de aula, de fato, “além do verbo To Be”.

A Base Nacional Comum Curricular, inicialmente no que diz respeito ao ensino fundamental II e ao ensino médio, apresenta diretrizes para o ensino de Inglês mais voltadas para a realidade, para interações práticas, multissemióticas, críticas que naturalmente conjugam dimensões pedagógicas e políticas. Nesse sentido, encontramos a seguinte observação na BNCC (2018):

 

Ensinar inglês com essa finalidade tem, para o currículo, três implicações importantes. A primeira é que esse caráter formativo obriga a rever as relações entre língua, território e cultura, na medida em que os falantes de inglês já não se encontram apenas nos países em que essa é a língua oficial. Esse fato provoca uma série de indagações, dentre elas, “Que inglês é esse que ensinamos na escola?”. (p 243).

 

Pensando no Inglês como língua franca, no direcionamento que a BNCC tem proposto para o referido componente curricular, como o professor pode pensar e planejar suas aulas a partir de então? Antes, porém, de tentarmos apresentar respostas objetivas e coerentes para essa pergunta, é necessário refletirmos também e primeiro sobre outras perguntas igualmente relevantes, por exemplo: com qual estrutura, minimamente funcional nas escolas, o professor pode dispor para desenvolver metodologias mais eficientes que apresentem situações comunicativas reais e de interação sociocultural? Parece um pouco distante a relação entre o que está posto no ideal e o que nós, professores, encontramos no plano real.

Para “ir além do verbo To Be”, é preciso equacionar questões fundamentais que, há muito, existem na escola. Diversas são as dificuldades para o pleno desenvolvimento das aulas não só de Inglês, mas, de um modo em geral, de língua estrangeira nas escolas públicas que acabam barrando boas práticas docentes. Contudo, é importante deixar claro que, metodologicamente, os professores sabem o quê e como fazer para potencializar, junto aos seus alunos, uma aprendizagem mais comunicativa, que além do contexto gramatical, linguístico, possibilite a conversação, o conhecimento e a troca intercultural mediante propostas práticas, reais de uso da língua estrangeira.

E o que falta então para que nós, professores, aproximemos o ideal do real? É muito fácil perceber que a questão estrutural das escolas (falta de recursos didáticos, sobretudo tecnológicos, e de um ambiente adequado), a quantidade elevada de estudantes por sala de aula, a carga horária pequena são fatores que dificultam muito os processos pedagógicos. Somado a isso, tem também a falta de interesse dos próprios alunos por não entenderem – em termos práticos – a importância de se estudar uma língua estrangeira, no caso aqui, o Inglês e a pouca oferta de formação continuada para os docentes que, sobretudo, potencialize a prática de conversação na língua estrangeira. Essas, talvez, sejam as questões mais urgentes a serem resolvidas para melhorar o ensino e a aprendizagem de língua inglesa na rede pública de ensino.

Em muitas escolas, os professores, em decorrência das questões citadas anteriormente,  na maioria das vezes, concentram-se no uso da gramática, privilegiando apenas a leitura (reading) e a escrita (writing) o que, sem o trabalho harmônico com outras habilidades, tais como a fala (speaking), audição (listening) e os aspectos de multiletramentos e de interação sociocomunicativa não ajuda o estudante a pensar a língua inglesa como “língua inglesa” de forma real e significativa. Neste caso, sempre haverá comparação com a língua materna e isso não é bom. Os professores precisam ter condições plenas de trabalho para encorajar seus alunos a estudarem, pensarem e usarem, de fato, o inglês como uma segunda língua.

Ensinar demasiadamente verbo To Be nas escolas, ao longo dos anos, talvez seja muito mais um pedido de socorro (help!)  e uma estratégia dos docentes para garantir o fluxo de trabalho do que não saber ou não querer trabalhar outras possibilidades, habilidades e abordagens sobre o uso da língua inglesa em práticas comunicativas, contextualizadas nas interações contemporâneas.  

Assista aqui um breve bate-papo entre os professores de Inglês Geraldo Seara e Uenderson Brittes gravado para o Rede em Movimento.

Parte 1

 

Parte 2

Parte 3

 

 

É isso, companheiros, por ora, ficamos por aqui, mas ainda há muito o que se discutir  sobre o assunto. Aguardo a contribuição de vocês.

Até a próxima.

See you!

 

Marcus Leone Oliveira Coelho, professor da Rede Pública Estadual de Ensino




Referências

https://www.britishcouncil.org.br/sites/default/files/estudo_oensinodoinglesnaeducacaopublicabrasileira.pdf

https://www.britishcouncil.org.br/atividades/ingles/bncc/webinar-fevereiro-2018

http://basenacionalcomum.mec.gov.br/wp-content/uploads/2018/12/BNCC_19dez2018_site.pdf

 

 

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