Baianidades e educação no 17º Simpósio Internacional Processos Civilizadores

Norbert Elias foi um sociólogo e filósofo alemão, que viveu entre os anos de 1897 e 1990. De família judaica, foi perseguido pelo regime nazifascista e se exilou na França, em 1933. Sua obra traz contribuições importantes para o estudo das sociedades em seus aspectos teóricos e práticos. No Brasil, seu trabalho começou a ter mais destaque a partir dos anos setenta e assim segue até hoje. Os livros escritos por ele são fontes para muitas abordagens sobre a vida social e a história do Ocidente.

Entre os dias 16 e 19 de outubro de 2018, realizou-se em Londrina – estado do Paraná, Brasil – o 17º Simpósio Internacional Processos Civilizadores (SIPC). O evento traz uma série pesquisas em diversas áreas que têm nas teorias do sociólogo algum tipo de fundamento. Promovido desde 1996, a cada dois anos reúne pesquisadores brasileiros e estrangeiros que têm como referência – em seus estudos e pesquisas – a Teoria dos Processos Civilizadores e a Sociologia Figuracional de Norbert Elias junto a outros teóricos em associação. Segundo o site oficial do SIPC, “O Simpósio tem como temática geral os “processos figuracionais históricos, políticos, sociais e educativos”. No sentido específico da relevância desse encontro para a educação, uma das marcas da ideia de “civilização” para Norbert Elias se encontra no que chama “controle das emoções”, expressão que relaciona o caminhar humano em diversas culturas às formas como as pessoas lidam com o controle de suas ações na vida coletiva. Não é demais lembrar o quanto historicamente a Educação possui grande importância para o processo civilizatório.

Cartaz do 17º Simpósio Internacional Processos Civilizadores.

Nessa edição, sob coordenação da Professora Dina Maria Rosário dos Santos (UNEB) foi apresentada a mesa “Sobre processos figuracionais da baianidade”, que contou com a presença da mesma e dos professores Carlos Barros (UFBA / SEC / IAT), Izabel de Fátima Cruz Melo (UNEB) e Márcia Maria Gonçalves Oliveira (IFBA). Os intelectuais levaram reflexões acerca de representações da sociedade baiana a partir do suporte teórico de Norbert Elias, associando essas pesquisas aos processos civilizatórios e educacionais no estado da Bahia.

Mesa “sobre Processos figuracionais da baianidade”

Segundo Tony Honorato, um dos coordenadores gerais do evento, “a Educação é uma área interdisciplinar e a sociologia, a história e a filosofia permitem que a gente pense a realidade da escola em múltiplas dimensões e a teoria do Elias para a Educação permite que a gente faça análises de longo prazo para pensarmos onde chegamos, como chegamos e por que chegamos.” A fala do professor converge para a mesa sobre “baianidade” que levou temáticas importantes para o Simpósio, como o cinema e as sociabilidades baianas, a produção do eu nas sertanidades, os processos figuracionais da baianidade e as construções de identidades baianas na obra dos Doces Bárbaros (Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa) e sua relação com a educação baiana contemporânea.

O 17º Simpósio Internacional Processos Civilizadores contou com a participação de pesquisadores brasileiros de diversas regiões, além de mexicanos, bolivianos, alemães. O debate acadêmico produzido nos quatro dias do encontro possibilitou que educadores de diversas áreas discutissem entre si temáticas que vão da Educação Física ao Meio Ambiente, passando pela História, Sociologia e Antropologia. A Educação é o eixo transversal que norteou o Simpósio, bem como vem norteando o evento ao longo desses anos.

Entre as interfaces produzidas pelos autores presentes, o professor Carlos Barros falou sobre a produção da Rede Anísio Teixeira (Instituto Anísio Teixeira / Secretaria da Educação da Bahia) na sua relação com os discursos sobre identidades culturais baianas, baianidades e a teoria dos processos civilizadores, tal como tratada por Norbert Elias.

Que tal assistir o Quadro Histórias da Bahia, na Plataforma Anísio Teixeira? Histórias da Bahia é um dos conteúdos que abordam de forma lúdica as construções de identidades baianas que foram discutidas na Mesa de baianos que aportou em Londrina nesse outubro de 2018!

Siga o link e viaje nas histórias da Bahia e suas baianidades!

Carlos Barros

Professor da Rede estadual de ensino

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