O pensar antes

Olá, pessoal! Tudo bem?

Textos imagéticos e sonoros, o fazer e os discursos audiovisuais que, contemporaneamente, nos cercam – sobretudo após o boom das redes sociais e no acesso das pessoas aos smartphones – estão em toda parte e cada vez mais vão sendo produzidos e se proliferando, muitas vezes, de forma indiscriminada. Isso vem acontecendo, independente dos realizadores, produtores em questão, serem profissionais da área de Comunicação e de terem conhecimento técnico, específico acerca de como planejar profissionalmente seus discursos em formato de vídeo. Isso, por um lado, pode ser interessante, se pensarmos que a possibilidade de produção e difusão desse conteúdo multimodal está cada vez mais ao alcance de muitas pessoas, mas também tem o lado ruim que perpassa, em muitos casos (facilmente encontrados na internet), pela falta de cuidado, reflexão crítica, relevância e planejamento acerca do que se quer comunicar e de como fazê-lo através do vídeo, ou seja: tal facilidade de produção e difusão acaba fazendo com que as pessoas negligenciem, no processo, o “pensar antes”.

Hoje, muitos querem discursar, contar histórias, promover debates, se mostrar (até com certo narcisismo), sensibilizar, fazer pensar e até educar através do vídeo. Okay, isso faz parte do contexto atual tecnológico, comunicacional e multissemiótico em que vivemos, contudo é importante refletirmos um pouco sobre o que vem antes do fazer/realizar audiovisual (apertar o rec), acerca do que queremos conceber, da pesquisa aprofundada, da relevância da produção em questão, considerando diversos contextos e, sobretudo, “como” queremos apresentar nossos discursos e também nos mostrar através deles. Muitas coisas devem ser consideradas no processo, nas etapas de produção de um vídeo, mas aqui e agora, pensemos um pouco no conceber, na “ideia” (no que queremos dizer) e no grande e importante guia do processo, no que é alicerce, no planejamento audiovisual que é o documento chamado “roteiro”.

Um bom conteúdo audiovisual sucede a “um bom combate”. Este envolve ideias, pesquisa, conversas, palavras, papéis em branco, paciência, persistência, escrita e reescrita… Ufa! Após tudo isso, eis, então, que podemos ter notícias preliminares de um roteiro. O que é? Para que serve um roteiro então? Seguem aqui duas definições sucintas, mas que começam a responder a pergunta anterior e nos fazem pensar um pouco sobre o tema:

Roteiro é uma história contada em imagens, diálogo e descrição, localizada no contexto da estrutura dramática (exposição – conflito – desfecho).”Syd Field

O Roteiro é uma história contada com imagens, expressas dramaticamente em uma estrutura definida, com início, meio e fim, não necessariamente nessa ordem.” – Chris Rodrigues

Além do que diz respeito à apresentação e construção de “narrativas” audiovisuais, o roteiro serve, dentre outras coisas, para balizar tecnicamente o trabalho da equipe de produção, prever e minimizar custos, possibilitar a pré-visualização e a execução plena, satisfatória do que será realizado. Dessa forma, fica claro que o planejar e o pensar antecipadamente, a pesquisa e o escrever (organizar um plano no papel) são fatores fundamentais para uma comunicação audiovisual bem feita e, sobretudo, relevante. Nesse sentido, a Rede Anísio Teixeira, durante o processo formativo Produção de Mídias na Educação (PME), tem compartilhado com docentes da rede pública estadual de ensino, através da criticidade e da contextualização, saberes e técnicas para a produção de mídias e conteúdos multimídia na Educação. Nesse processo, sempre e antes de qualquer produção, são sinalizados, potencializados e praticados, mediante pesquisas, discussões, escrita de desenhos pedagógicos e de roteiros, o planejar, o pensar criticamente antes, atitude esta que, principalmente entre profissionais da Educação, deve sempre ser um procedimento padrão, indispensável ao trabalho docente. É preciso ter sempre em mente que toda e qualquer produção bem feita e significativa é consequência de um bom planejamento prévio.

 

 

 

Entendo, efetivamente, que pensar antes é vislumbrar e começar a construir, com segurança, um caminhar firme em direção ao futuro.

Pois é, companheiros, há muito ainda o que falar sobre os elementos estruturais, constituintes de um roteiro, mas essa conversa ficará para outro momento, certo? Vamos por partes.

Até breve. Tchau!

Força e sensibilidade sempre!

RODRIGUES, Chris. O cinema e a produção. 3ª Ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2007.

MANUAL DO ROTEIRO
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/247033/mod_resource/content/1/Syd%20Field.pdf

Marcus Leone Oliveira Coelho é roteirista, produtor audiovisual e professor da Rede Pública de Ensino da Bahia

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