A arte de dar vida às personagens

Construir uma obra fílmica de ficção é uma tarefa de responsabilidade imensa já que personas vão tomando formas concretas, a tal ponto de seu autores não conseguirem mais frear suas atitudes, pois, quando a construção delas é sincera, elas passam a falar por si só, obrigando aos seus desenvolvedores esquecerem de suas premissas, conceitos e pré-conceitos sobre tudo. As ações perpassam os interesses de quem as escreve como se, de repente, não conseguissem mais segurar a língua e o corpo dessas criaturas e, se tentarem fazê-lo, estarão negligenciando seus atos, causando até uma inverossimilhança interna por conta dos seus conceitos pré-concebidos.

No cinema, isso é exposto à máxima potência já que, além das ações descritas em palavras, temos as ações concretizadas em forma de imagens captadas em close, revelando, então, nuances de gestos, muitas vezes imperceptíveis em outros veículos como o palco de teatro e, até mesmo, a tela da TV, pelo seu tamanho reduzido.

Existem diversos exemplos de personagens que tomaram outro rumo que não era o previsto por seu autor, no início. Eram simplesmente coadjuvantes, mas que ganharam uma força tão grande, que superaram os protagonistas. Veja como exemplo o Coringa do filme Batman – O Cavaleiro das Trevas, no qual o ator Heath Ledger “rouba” a cena, deixando o personagem Batman quase que em segundo plano. Segundo o diretor, a proposta não era inicialmente essa, mas o empenho do ator fez com que cenas extras fossem criadas para explorar mais o caráter da personagem.

Fig,1 Ator Heath Ledger

Em outros casos, personagens coadjuvantes tomam vida de forma tal que cenas extras começam a ser escritas para elas, como foi o caso de Bebel, interpretada por Camila Pitanga em Insensato Coração de Gilberto Braga.

No Brasil, existem outros exemplos de mudança no caminho de algumas personagens, tanto no cinema, quanto na TV, a exemplo de Igor, o cigano, interpretado pelo modelo Ricardo Macchi na novela Explode Coração, de Glória Perez. Na história era previsto o romance entre ele e Dara, a protagonista interpretada por Tereza Seiblitz. No entanto, a interpretação do ator ficou muito abaixo do esperado e o romance dos dois foi declinando até calar sua voz, sendo substituído por um outro par romântico, formado agora por Dara e João Falcão, interpretado por Edson Celulari.

 

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Fig. 2 google.com.br/url

Quando personagens perdem a importância, devido à dificuldade de seus intérpretes em construí-los e desenvolvê-los, ao longo das telenovelas, o autor, muitas vezes toma a atitude mais drástica, a de matá-los. Em se tratando de filmes, a saída é cortá-los na edição.

Como a vida imita a arte, segundo um ditado bem conhecido, há também personagens reais que assumem posições nas quais  não eram esperadas, muitas vezes em detrimento de outros. Vejamos o caso da presidência da república que, por diversas vezes e diversos motivos, teve seu vice assumindo a vaga do presidente, em alguns momentos do nosso país: Deodoro da Fonsêca foi substituído  por Floriano Peixoto, através de um Golpe de Estado; Afonso Penna, por Nilo Peçanha, por causa da morte daquele; Delfim Moreira por Rodrigues Alves, que assumiu, interinamente, já na posse, por doença do líder; Getúlio Vargas por Café Filho, Jânio Quadros por João Goulart, Tancredo Neves por José Sarney (da mesma forma que aconteceu com Delfim Moreira e Rodrigues Alves), Fernando Collor por Itamar Franco e, por último, Dilma Rousseff por Michel Temer e, neste caso, também se tornou uma verdadeira história de horror.

Nildson B. Veloso

Professor da Rede Pública Estadual de Educação.

Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/vice-presidentes-que-assumiram-governo-no-brasil.htm

 

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