A cultura afro-baiana e africana na obra de Pierre Verger

Pierre Verger foi um antropólogo e fotógrafo francês, com trabalhos muito relevantes sobre cultura afro-brasileira e africana. Sua mãe morreu, quando Verger completou trinta anos e então, ele passou a viajar por lugares do mundo fotografando manifestações culturais que considerava representativas.

Em 1946, o fotógrafo desembarcou em Salvador e ficou encantado com as belezas da cidade, bem como  com a força das referências africanas que encontrou. Os negros e a negritude passaram a ser foco de sua arte fotográfica, trabalhando com imagens que eram publicadas em diversas revistas no mundo.

Pierre Verger (auto-retrato) 1952 (Foto: Charles Mallison)

Sua relação com as culturas  sempre foi a de um viajante curioso, mas ao chegar no Benin, a religiosidade africana ocidental o seduziu a ponto de se iniciar no culto a Ifá, tornando-se sacerdote e Babalaô, assumindo o nome de Fatumbi (aquele que renasceu em Ifá). A fé e as práticas rituais africanas  e afro-brasileiras passaram a ser o centro de sua arte fotográfica e também dos escritos que produziu, como os livros Orixás (1951) e  Ewe: o uso das plantas na sociedade iorubana (1955), entre outros tantos.

O trabalho de Verger recebe elogios e críticas, entre elas a de que se trata de um trabalho feito por um olhar estrangeiro sobre as culturas africanas e afro-brasileiras.  É importante perceber o quanto os europeus lançaram olhares preconceituosos sobre a África ao longo do tempo, embora as imagens e escritos de Verger não traduzam uma forma racista de interpretação da cultura negra em África e no Brasil.

Um trabalho de Pierre Verger merece destaque específico, o livro Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o golfo do Benin e a Bahia de Todos os Santos (1987), cuja temática trata da relação entre o Recôncavo Baiano  e o Golfo do Benin, ajudando e entender as profundas relações estabelecidas no período colonial e imperial brasileiro entre os dois continentes.

Verger faleceu em 1996, três dias após conceder sua última entrevista, numa conversa com o cantor e compositor Gilberto Gil, onde falou sobre sua vida e trajetória. Gil também é o narrador participante do documentário Pierre Verger: mensageiro entre dois mundos , lançado em 1999 e dirigido por Lula Buarque de Holanda.

Para a educação baiana, Verger é importante entre outras coisas por ter sido professor na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia, além de ter como objeto primordial de suas pesquisas as relações entre o continente africano e o Brasil.

Na Plataforma Anísio Teixeira, no Programa Almanaque Viramundo, há um Quadro chamado Artefatos sobre o documentário Pierre Verger: mensageiro entre dois mundos. O crítico de cinema João Carlos Sampaio fala sobre o filme  e sobre a estética de Verger. Vamos assistir?

http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/1510

 

Carlos Barros

Professor de História da Rede estadual de ensino.

 

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