Por que uma pedagogia dos multiletramentos?

Olá, companheiros!

Vamos refletir um pouco sobre produções textuais multissemióticas que envolvem discursos multimídia, e que, sobretudo entre os mais jovens, já fazem parte do contexto comunicacional contemporâneo.

É urgente que a escola do século XXI, pelo menos, pense e debata sobre uma “pedagogia dos multiletramentos”, ou seja, é preciso propor ações pedagógicas que potencializem a leitura, escrita e possibilidades comunicativas que considerem, com relevância, a multiplicidade cultural e semiótica presente em nossa sociedade.

 

No livro “Multiletramento na escola (2012)Roxane Rojo destaca e discute ideias muito importantes, que alicerçam os estudos e a necessidade de uma “pedagogia dos multiletramentos”. Uma dessas discussões versa sobre as “culturas valorizadas versus culturas desvalorizadas”, ou seja, a cultura que, há tempos, a escola valoriza em primazia (a do impresso) versus a que está viva, pulsante no cotidiano, nas ruas, nas redes sociais e em outros espaços, que se manifesta em diversas semioses, no que diz respeito à interação social e construção de saberes, mas que ainda não é devidamente valorizada pela “escola”.

 

É importante que pedagogos e professores atentem e discutam sobre a conduta do estudante em valer-se de letramentos múltiplos em outros espaços de comunicação que orbitam a escola. Nesses ambientes, existem linguagens múltiplas, em que o enunciado pode se apresentar em diferentes gêneros e em diferentes esferas da atividade humana.

Estudantes em Produção de Mídias na Educação (PME)/Rede Anísio Teixeira – Foto: Peterson Azevedo

Práticas pedagógicas de multiletramento estão em consonância com as necessidades pedagógicas e comunicativas que nos impõe o momento atual. Nesse sentido, percebe-se que há uma necessidade urgente das escolas em se apropriar e desenvolver leituras e escritas, considerando tais letramentos, sobretudo no que tange o uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC), das mídias e gêneros discursivos mais procurados e usados pelas pessoas no ciberespaço, sobretudo pelos mais jovens. Boa parte destes jovens, considerados nativos digitais, dispõem diuturnamente de dispositivos móveis para se comunicar, realizar tarefas escolares, se entreter (assistir a vídeos, ouvir música, jogar e interagir nas redes sociais) e, dessa forma, imersos no mundo virtual (ciberespaço), interagir socialmente de maneira, muitas vezes, inadequada e até perigosa. A escola precisa, de alguma forma, tomar partido disso, pois ela, ainda “presa” e muito preocupada com a leitura e escrita em sua vertente primária (no que se refere à cultura do impresso) acaba permanecendo à margem do contexto vigente das novas e das diversas possibilidades de leitura e escrita que estão se desenvolvendo no mundo contemporâneo e se tornando, então, cada vez mais desinteressante, obsoleta e ineficiente nos processos de ensino e aprendizagem e, sobretudo, em dialogar com os estudantes. Nesse sentido, os espaços de educação precisam trabalhar a leitura e a escrita confrontando gêneros textuais considerando suas diferentes formas, tanto estéticas quanto culturais. Deve-se valorizar, no contexto atual, que é muito do jovem estudante, os textos/hipertextos oriundos das tecnologias digitais e do que, há muito, vem acontecendo fora dos muros escolares.

Formar cidadãos autônomos em uma sociedade cada vez mais tecnologicamente complexa, sem escamotear a cultura local e global é, sem dúvida, papel da escola. E para cumprir esse objetivo, o ensino deve mobilizar múltiplos letramentos, ou seja, abordar diferentes mídias, diferentes semioses, em contextos culturais diversos.(ROJO; MOURA; CUSTÓDIO, 2012, p.199).

Estudantes em Produção de Mídias na Educação (PME)/Rede Anísio Teixeira – Foto: Peterson Azevedo

É necessário que a escola se perceba, efetivamente, na perspectiva contemporânea e entenda o impacto, a interferência e velocidade das TDIC e suas linguagens na vida das pessoas, principalmente entre os estudantes. Podemos considerar então que “a educação escolar precisa compreender e incorporar mais as novas linguagens, desvendar seus códigos, dominar as possibilidades de expressão e as possíveis manipulações.” (MORAN, 2009, p.36).

Assim, podemos entender que a escola precisa desenvolver metodologias mais atuais, que, efetivamente, dialoguem com os estudantes, considerando a pluralidade cultural presente em cada sala de aula e atentando para a interação e imersão desses jovens no ciberespaço. É preciso potencializar o dialogismo, a colaboração e práticas de multiletramentos tanto no ambiente escolar quanto fora dele. Sigamos em frente!

 

Estudantes em Produção de Mídias na Educação (PME)/Rede Anísio Teixeira – Foto: Peterson Azevedo

 

Não esqueçam de pesquisar mais sobre o tema. Sigam sempre em frente respeitando as diferenças!!!

Até a próxima!

Força e sensibilidade sempre!

Marcus Leone O. Coelho

Professor da Rede Estadual de Ensino, roteirista e produtor audiovisual.

 

 

REFERÊNCIAS

MORAN, José Manuel. Mudar a forma de ensinar e aprender com tecnologias. Disponível em: <http://www.eca.usp.br/prof/moran/uber.htm>. Acessado em 10/12/2012.

MORAN, José Manuel, MASETTO, Marcos e BEHRENS, Marilda. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. 16ª ed. Campinas: Papirus, 2009, p.12-17.

ROJO, Roxane; ALMEIDA, Eduardo de Moura (Orgs.). Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012, 264 p. (Estratégias de ensino)

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