Outras possibilidades de ver o mundo

 

Olá, pessoal! Tudo bem?

Hoje, 02 de abril, é o dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. Nesse sentido, quero aqui, além de ajudar a divulgar essa informação, refletir um pouco sobre o assunto com vocês.

O que é o autismo? Como ele se apresenta? Quais os tipos de tratamento? Como a questão tem sido discutida no Brasil? Enfim, pelo visto, são muitas as informações e as dúvidas também, não é? Por isso, é muito importante tomarmos conhecimento e dialogarmos, sempre que possível, sobre o tema. À medida que vamos obtendo informações e conhecendo o assunto, qualificamos nosso olhar para com o outro, para a aceitação das diferenças e também aprendemos a negar todo e qualquer tipo de julgamento, discriminação e preconceito nesse sentido. Vejamos o vídeo a seguir e pensemos um pouco sobre as diversas possibilidades de ver o mundo. Nesse contexto, o autista vê e sente o mundo de uma forma muito particular em relação a maioria das pessoas. E essa maneira de perceber o mundo não é nem melhor, nem pior, é simplesmente “diferente”.

 

 

http://pat.educacao.ba.gov.br/conteudos-digitais/conteudo/exibir/id/7968

E aí? Gostaram do vídeo? Então,  já dá para começarmos a entender um pouco sobre esse universo, certo? Realmente, não é fácil imaginar como o autista percebe o mundo, mas, nesse contexto, é preciso predisposição, paciência, sensibilidade e respeito para com o outro e para aceitar as diferenças. Isso possibilita que as relações interpessoais aconteçam e se desenvolvam da melhor forma.

Para avançarmos um pouco mais nesse entendimento, como podemos, então, definir o autismo? Segundo a Associação de Amigos do Autista (AMA) da Bahia, o autismo está associado ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), expressão que muitos especialistas no assunto usam para descrever a dificuldade de interação social, de comunicação e comportamento que muitas crianças têm. A Organização Mundial de Saúde (OMS) aborda o autismo como Transtornos Globais do Desenvolvimento (CID F84) onde são elencados alguns tipos de transtorno, tais como: Síndrome de Rett, Transtorno Desintegrativo da Infância, Síndrome de Asperger, Transtornos Globais do Desenvolvimento, Autismo infantil, dentre outros. Dessa forma, indo além da visão simplista e não científica que a maioria das pessoas tem, entendemos que o autismo está para além da velha ideia de que “o autista é alguém que fica sempre na dele, que vive trancado em seu próprio mundo”. É preciso, realmente, considerar o espectro do autismo para entender a dimensão da questão, pois o mesmo é variável e envolve diferentes situações e manifestações comportamentais entre as pessoas que têm o transtorno.

Segundo a cartilha Direitos das Pessoas com Autismo da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, os sinais referentes ao transtorno se manifestam cedo, antes dos três anos de idade. Nesse sentido, os especialistas e o que está escrito, tanto na cartilha quanto nas Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) do Ministério da Saúde dizem que é muito importante o diagnóstico precoce, pois, dessa forma, é possível iniciar tratamentos que podem ajudar no desenvolvimento da criança, melhorando sua comunicação e socialização. Isso é tão sério que a presidência da república sancionou a Lei nº 13.438, de 26 de abril de 2017.  Ela torna obrigatório, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a adoção de um protocolo que estabeleça padrões para a avaliação de riscos para o desenvolvimento psíquico das crianças com até 18 meses de idade.

 

Realmente, são muitas as questões que precisam ser conhecidas e discutidas sobre o autismo, e que um único texto não dá conta. Mesmo sabendo que cada pessoa com autismo tem características específicas, segundo Mello (2007), existem comportamentos, sinais que podem ser vistos como comuns do espectro de manifestações autísticas, tais como: dificuldade de comunicação, de sociabilização e de imaginação.

 

Dados da APAE Brasil estimam a existência de dois milhões de autistas no país, número significativo que sugere, cada vez mais, atenção e cuidado também expressivos em relação ao tema. E é sempre bom lembrar que tanto o diagnóstico quanto o tratamento em relação ao autismo devem ser feitos por profissionais multidisciplinares e qualificados. Nesse contexto, a informação, compreensão, boa vontade e amor por parte das pessoas são fundamentais no combate ao preconceito, à discriminação e exclusão do autista nos processos de interação social.

 

As diferenças, além de evidenciarem nossa singularidade e incompletude, mostram também a inevitável necessidade de buscarmos uns aos outros. E quer saber o que realmente importa nisso tudo? É nos encontrarmos sempre com humanidade.

Pesquisem mais sobre o tema e sigam sempre respeitando as diferenças!!!

Até a próxima!

 

Força e sensibilidade sempre!

Marcus Leone O. Coelho

Professor da Rede Estadual de Ensino, roteirista e produtor audiovisual.

 

REFERÊNCIAS

AMELINES, Alex. Coisas Fantásticas Acontecem. Disponível em: < http://amazingthingshappen.tv/?projects=coisas-fantasticas-acontecem-brasil>. Acesso em: 23 de mar. 2018.

AMA-Ba. Disponível em: <http://ama-ba.org.br/site/>. Acesso em: 23 de mar. 2018

APAE- Brasil. Número de pessoas com autismo aumenta em todo o Brasil. Disponível em: http://apaebrasil.org.br/noticia/numero-de-pessoas-com-autismo-aumenta-em-todo-o-brasil>. Acesso em: 23 de mar. 2018.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília : Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: < http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_reabilitacao_pessoa_autismo.pdf>. Acesso em: 32 de mar. 2018

FITA QUEBR-CABEÇAS. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Fita_quebra-cabe%C3%A7as>. Acesso em: 23 de mar. 2018.

ICLINIC. CID 10. Disponível em: < https://iclinic.com.br/cid/capitulo/5/grupo/64/categoria/482/> Acesso em: 23 de mar. 2018.

MELLO, Ana Maria S. Ros de, Autismo: guia prático. 5 ed. São Paulo: AMA; Brasília: CORDE, 2007. 104 p.

WIKIPÉDIA. Transtorno do Espectro Autista. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Transtornos_do_espectro_autista>. Acesso em: 23 de mar. 2018.

 

 

 

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