Phubbing e WhatsAppinite: problemas do mundo contemporâneo!

Uma situação bastante comum nos dias de hoje, seja numa saída entre amigos, reunião de família, reunião de trabalho ou coisa do gênero, tem sempre alguém que não desgruda do celular. Já se sentiu irritado, incomodado ou anulado por alguém em situação igual ou semelhante? Mais precisamente, já disse ou ouviu essa frase: “Pare com esse celular!” Pois bem, esse tipo de comportamento tem mobilizado uma campanha de caráter global: “Stop phubbing!” Ela aborda um comportamento social alimentado cada vez mais pelos avanços tecnológicos oferecidos pelos Smartphones. A intenção maior da campanha, idealizada pelo estudante universitário australiano Alex High, é restaurar o contato social entre as pessoas.

Imagem relacioanda sobre o phubbing

Fig.1Phubbing

 

Talvez você desconheça a palavra ou expressão. Como se pode observar na imagem ela é oriunda de duas outras palavras da língua inglesa. Que pode ser definida como :Phubbing (v) the act of snubbing someone in a social setting by looking at your phone insted of paying attention.” Ou seja, nada mais é do que dar predileção ao uso do celular, ao invés de dar atenção para alguém. Esse comportamento, de forma recorrente é, potencialmente, comprometedor para o surgimento de atritos nas relações pessoais.

                                                                                                                Fig.2 Phubbing

 

Já que snubbing (esnobar) e phone (telefone) a palavra ou expressão descreve o ato de ignorar alguém usando como desculpa, um telefonema, mensagem ou outros através de um smartphone.

A contemporaneidade traz em si uma verdade: um mundo cada vez mais digitalizado e conectado traduzido, essencialmente, por duas palavras: Online X Offline. Essas palavras definem e desenham o atual contexto social que traça toda ação humana no cibridismo e define o século XXI como cíbrido, híbrido, ou seja, o século das realidades mistas. De acordo com Giselle Beiguelman, pioneira no campo da arte digital, no uso da internet e das redes móveis em produções artísticas, afirma que a principal característica do cibridismo é estar entre redes: on e offline o tempo todo.

A tecnologia é inevitável e, de suma importância, ante o incomensurável benefício por ela trazido pelas facilidades e agilidades no dia a dia, mas há que se observar também que ela tem modificado, significativamente, a forma de se relacionar e que tem causado grandes mudanças nessa nova ordem social. Pesquisadores e estudiosos têm demonstrado que o uso excessivo tem trazido seus malefícios.

A psicóloga canadense Susan Pinker aponta e reforça em seus estudos o caráter singular das interações sociais, consideravelmente, presenciais. Para a estudiosa, é nociva a quantidade de horas que  as pessoas se dedicam através de dispositivos digitais e acrescenta que, o estabelecimento dos laços afetivos garantem ganhos incomensuráveis em diferentes esferas do desenvolvimento no campo psico-afetivo e da biologia humana como a profilaxia de problemas como depressão, estresse, solidão e doenças.

O escritor americano John Naisbitt, em seu livro High Tech High Touch, faz o leitor refletir acerca do papel da tecnologia na sociedade e do quanto a sociedade pode estar intoxicada pelo uso excessivo e indiscriminado da tecnologia e despertar para a importância do contato humano. Eis que surge uma inquietação: As relações humanas sucumbiriam ao fracasso? Uma pergunta, aparentemente, simples com possibilidades infinitas de respostas complexas.

Há que se apontar que, para além dos problemas de relacionamentos, outros problemas de natureza física, são ocasionados pelo uso excessivo dos smartphones : WhatsAppinite que é definida e caracterizada por um tipo de inflamação que resulta em dores nas mãos, polegares e punhos. Seu primeiro caso foi registrado na Espanha, em uma mulher por usar execessivamente o aplicativo de mensagem. O caso foi descrito na revista científica “The Lancet” por uma médica espanhola.

É bem verdade afirmar que, inflamações dessa natureza nas mãos já foram registradas pela comunidade médica em tempos anteriores pelo uso de algum recurso tecnológico como na década de 90 a “Nintendinite” ou “Nintendo thumb” pelos usuários de videogames. Em 2000, foram registrados o “BlackBerry thumb” e a “Tendinite SMS” nos primeiros usuários de celular causando danos temporários ou irreversíveis pela digitação excessiva.

De acordo com o ortopedista Mateus Saito, do Instituto de Ortopedia e Traumatologia da USP, a WhatsAppinite  é mais comum do que se imagina e o número de pessoas que apresentam o problema cresce diariamente.

A verdade está posta: Vivemos numa sociedade com diferentes maneiras de se comunicar, de fazer, de ser, de viver, de compreender, de escolher, de pensar… Enfim, em 2018, o Blog da Rede faz esse convite: Repensar as velhas e novas formas dando predileção às escolhas sábias e saudáveis.

Vai a primeira dica: desligue o cel e olhe o céu!

Para outras leituras:

Cibridismo

WhatsAppinite: uso constante do aplicativo pode causar inflamações e dores.

WhatsAppinite: conheça a doença de quem exagera no uso do Smartphone.

Mônica  Mota

Professora da Rede  Estadual de Ensino

 

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