As mulheres trans – sobre respeito e direitos!

Dia 08 de março é considerado e comemorado como o Dia Internacional da Mulher. Essa data lembra, anualmente, o quanto as mulheres lutaram e continuam lutando pela equidade de direitos, bem como vêm combatendo o machismo e a misoginia, males que ainda afetam as sociedades mundo afora.

A divisão social pela sexo/gênero está ganhando elementos novos e dinâmicos nos tempos recentes. Na história, muitas pessoas nasceram e nascem com sexo biológico diferente daquele com o qual se identificam psicológica e socialmente. Essas pessoas são os transgêneros, e suas trajetórias têm se tornado cada vez mais visíveis, trazendo à tona um maior entendimento sobre suas posições no mundo. A transgeneridade é uma possibilidade humana nas definições sobre gênero, ou seja, a classificação entre feminino e masculino. As pessoas trans trazem consigo uma diversidade que existe concretamente no plano do pertencimento ao masculino e/ou feminino. Isso não tem relação direta com a sexualidade de cada um. Ser  homossexual, heterossexual, bissexual etc, são características relacionadas ao desejo sexual. As pessoas trans possuem a mesma variedade de desejos que as pessoas cisgêneros (cujo sexo biológico coincide com a identidade de gênero), podendo ser “trans heterossexual, trans homossexual, trans bissexual”, etc.

No dia 08 de março, é importante lembrar das mulheres como um todo, incluindo aí as mulheres trans, cuja genitália pode ser masculina, mas a identidade de gênero é feminina, do mesmo modo que a identidade de gênero das mulheres cisgêneros. O 08 de março é um dia de luta também para travestis, transexuais (pessoas que fizeram cirurgias de redesignação sexual) e todas aquelas pessoas cuja identificação social se dá no âmbito do sexo feminino. O 08 de março precisa ser ampliado para pautar lutas de todas as mulheres. Recentemente, no dia 1º de março de 2018, uma nova conquista acendeu ainda mais a chama dessa luta pela liberdade de gênero. O STF (Supremo Tribunal Federal) garantiu às pessoas trans o direito de mudar o nome de registro sem a necessidade da cirurgia de redesignação, facilitando o reconhecimento social de suas identidades socialmente constituídas. Na prática, uma mulher trans com registro de nascimento, RG, CPF (entre outros documentos civis) masculino pode solicitar a mudança para seu nome social trans, solidificando em nível documental sua condição de gênero.

A comemoração do oito de março surgiu para marcar a resistência e o avanço das mulheres no mundo, combatendo as diversas agressões sofridas pelo feminino em sociedades estruturadas a partir da dominação masculina. Atualmente, precisamos ampliar – como sociedade civil organizada – o sentido dessa data, trazendo para o debate os direitos das mulheres trans, cuja identidade é tão feminina quanto aquela das mulheres cisgêneros.  Para saber um pouco mais sobre o universo trans e os direitos dessas pessoas, algumas histórias de vida são contadas na página TAB TRANS-UOL, com relatos bem interessantes.

Vale a pena lembrar, também, que na música popular brasileira, muitos artistas trans têm se lançado e alcançado espaços importantes na mídia. Aliás, você conhece Liniker?

Liniker é uma cantora trans e negra cujo trabalho tem se destacado muito nos últimos anos. Vale a pena conferir o trabalho dela:

Às mulheres – todas – amplitude de oportunidades de ser e existir com dignidade!

Garantir isso é um dever de todxs nós!

 

 

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