Globalização ou Globalitarismo?

Olá, galerinha! Continuamos com nossa série Mutirão para o ENEM. Hoje, vamos falar sobre um tema muito rico para a Geografia, mas muito complexo para o entendimento dos seus processos. Primeiro, devemos entender como se deu o processo de Globalização e internacionalização do capital no mundo. O início desse processo data do final do século XV, principalmente com fluxos advindos do continente Europeu, mais intensamente pelos países ibéricos, França e Inglaterra, avançando pelas terras dos continentes americano, africano e asiático. As grandes navegações foi um processo de intensificação dos processos de globalização econômica no mundo na Era Moderna. Mas que Globalização é essa? Existe mais de um processo de globalização no mundo?

A  Globalização pode ser entendida em duas perspectivas analíticas: a globalização econômica e a globalização cultural. Conhecemos como globalização econômica os processos de intensificação dos fluxos do capital, a internacionalização do trabalho e o desenvolvimento técnico-científico – informacional, esse a serviço do capital hegemônico e da exploração da mão de obra dos países em desenvolvimento. Por globalização cultural podemos entender como sendo a popularização e doutrinação das culturas europeias e anglo-saxônicas, exercendo fortes pressões na cultura do lugar, territorializando e padronizando as diversidades culturais dos espaços conquistados, além da ampliação dos meios de comunicabilidade e interatividade tecnológica.

No ENEM de 2016, uma questão refletiu bem esta temática, e exigiu do estudante uma percepção bastante crítica acerca das configurações e dinâmicas nas relações geopolíticas do espaço mundial. Vamos a ela.

 

Analisando a questão:

Questão 23 – ENEM/2016

Dados recentes mostram que muitos são os países periféricos que dependem dos recursos enviados pelos imigrantes que estão nos países centrais. Grande parte dos países da América Latina, por exemplo, depende hoje das remessas de seus imigrantes. Para se ter uma ideia mais concreta, recentes dados divulgados pela ONU revelaram que somente os indianos recebem 10 bilhões de dólares de seus compatriotas no exterior. No México, segundo maior volume de divisas, esse valor chega a 9,9 bilhões de dólares e nas Filipinas, o terceiro, a 8,4 bilhões.

HAESBAERT. R.; PORTO-GONÇALVES, C. W. A nova des-ordem mundial. São Paulo: Edunesp, 2006.

Um aspecto do mundo globalizado que facilitou a ocorrência do processo descrito, na transição do século XX para o século XXI, foi o(a)

a) integração de culturas distintas.

b) avanço técnico das comunicações.

c) quebra de barreiras alfandegárias.

d) flexibilização de regras trabalhistas.

e) desconcentração espacial da produção.

A questão é polissêmica em sua interpretação, vai depender muito do interlocutor que formulou não apenas a questão em si, mas as respostas e sua alternativa correta. A questão aborda a divisão internacional do trabalho e seus processos imigratórios, principalmente dos países periféricos para os países centrais. Analisando o trecho “…depende hoje das remessas de seus imigrantes”, o que o autor quer dizer, quando refere-se ao termo “depende”? O país? A família? A relação de subserviência? Ou a internacionalização do capital e a exploração da mão de obra imigrante? Analisando o enunciado proposto pelo formulador e pelo autor, podemos propor o diálogo e a interlocução com as alternativas (b) e (e). Mas em momento nenhum ele afirma como se dá este processo de transferência de capital entre países, deixando uma lacuna perigosa para o processo de interpretação da questão. A alternativa (e) trata da “desconcentração espacial da produção” dentro dos processos de Globalização, negando, então, a necessidade dos atuais deslocamentos humanos entre os países em desenvolvimento e os países desenvolvidos. Ou seja, se existe a desconcentração, não haveria a necessidade da saída da população de seu espaço de origem, já que não “existe” mais a centralização do trabalho nos países desenvolvidos. Já a alternativa (b) aborda o “avanço técnico das comunicações” como processo de interlocução entre os imigrantes e suas famílias que permaneceram nos países de origem, ampliando as relações de dependência do capital gerado pela força produtiva do trabalhador e que, em tese, gera um maior fluxo de informação e do capital, podendo ser compartilhado com os demais do núcleo familiar. Os países centrais, por possuírem uma economia mais desenvolvida e especulativa em relação aos países periféricos, possibilitam uma remuneração maior aos seus colaboradores, por concentrarem um maior fluxo de produção, mesmo sabendo que essa remuneração é consideravelmente menor do que a que é paga aos nativos dos países desenvolvidos, explicitando a exploração da mão de obra dos trabalhadores imigrantes. Analisando as opções, a alternativa (b) nos dá mais argumentos consistentes à questão levantada pelo formulador.

Como bem disse nosso mestre Milton Santos: “Vivemos num mundo confuso e confusamente percebido”. Por isso, precisamos estar atentos às questões que envolvam a nova ordem mundial e suas relações territoriais, regionais e as influências destas no lugar. Esse mundo que é regido pelo Globalitarismo, ou seja, pela hegemonia dos países ricos, tem em suas bases fundamentalistas “a informação e seu império, que encontram alicerce na produção de imagens e do imaginário, e se põem ao serviço do império do dinheiro”, continua Santos.

Para ir além:

http://ambiente.educacao.ba.

http://ambiente.educacao.ba.

http://ambiente.educacao.ba.

http://ambiente.educacao.ba.

https://www.youtube.com/watch?

http://www.softwarelivre.gov.

REFERÊNCIAS

MILTON, Santos. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Ed. 11ª. Rio de Janeiro. 2004

http://www.resumov.com.br/. Acesso em: 26 de Setembro de 2017.

http://miltonsantos.com.br/. Acesso em 26 de Setembro de 2017.

Peterson Azevedo

Professor da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

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