Blog da Rede inicia “Mutirão para o ENEM”

O ENEM mexe com a cabeça de estudantes e professores, não apenas quando se aproxima a realização das provas, mas antes, durante e depois. Desde 1998, estamos lidando com este novo sistema de avaliação, organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Foi criado, inicialmente, para avaliar a qualidade do ensino médio no país e para, a partir desse panorama, auxiliar na elaboração de políticas públicas educacionais. Algum tempo depois, os resultados deste exame passaram a servir como acesso para universidades brasileiras, através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), assim como em algumas do exterior, processo que ampliou o acesso às vagas no ensino superior e, ao mesmo tempo, possibilitou maior mobilidade acadêmica.

Toda esta realidade de intenções e ações que se desenvolveram após a implantação do novo exame modificou as práticas educativas das escolas nos anos finais do ensino fundamental e, especialmente, do ensino médio. Mesmo sem muito tempo entre a reflexão e a inovação pedagógica, as escolas passaram a adotar o ENEM como referência para o ensino, já que era medida de avaliação.

Hoje, o ENEM se configura como o maior processo seletivo do Brasil e o segundo maior do mundo, segundo o RankBrasil – Recordes Brasileiros  Em 2013, inscreveram-se para a prova um total de 7.8 milhões de candidatos; em 2016, cresceu para 9,2 milhões de inscrições.

Como um instrumento de avaliação, diferencia-se absolutamente das provas utilizadas nos concursos vestibulares e estrutura-se para verificar habilidades e competências, diminuindo de modo significativo a imposição de memorização de conteúdos. O ENEM preza pela compreensão.

A partir deste ano, o exame será realizado em dois dias (5 e 12 de novembro) e, como de praxe, será composto por quatro provas objetivas, das diversas áreas de conhecimento, além de uma redação, do tipo dissertativa-argumentativa. Os temas giram em torno de questões relevantes para a realidade do nosso país e já foram contemplados, por exemplo: Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil (2016/1ª aplicação) e Caminhos para combater o racismo no Brasil (2016/2ª aplicação),  A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira(2015) e Publicidade infantil em questão no Brasil (2014) – para citar apenas as últimas propostas.

Na elaboração desta prova, é utilizada uma matriz de competências, cujos objetivos se pautam nas capacidades para compreender fenômenos naturais, enfrentar situações-problema, construir argumentações consistentes e elaborar propostas que atentem para as questões sociais. Avaliar, nesta perspectiva, por sua vez, implica em um conjunto de habilidades, hierarquicamente organizadas, que configura a dimensão prática dessas competências.  A interdisciplinaridade é um aspecto saliente na formulação dos enunciados e, assim sendo, exige do estudante a articulação entre teorias e aplicação prática dos conhecimentos.

O ENEM pode ser um bom indicador da qualidade do ensino em nossas escolas. Ressaltamos, no entanto, que as provas e seus resultados encerram um longo ciclo de investimento educacional, concentra-se nos últimos anos de escolaridade, mas reflete toda uma formação escolar. Por outro lado, traduzem parcialmente o desempenho das escolas, de seus professores e de seus estudantes.

O Blog da Rede inicia aqui a publicação de uma série de textos para auxiliar os candidatos na complementação dos seus estudos. É o Mutirão para o ENEM, cuja programação se estende até outubro de 2017, todas as terças e quintas.  Participem e aproveitem!

 

Lilia Rezende

Professora da Rede Pública Estadual de Ensino da Bahia

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