Envelhecimento e cultura: por que ficar velho incomoda tanto?

O envelhecimento é um processo natural por que passam todos os seres vivos. No caso dos humanos, além da natureza, envelhecer também tem impactos na cultura. As sociedades contemporâneas, sobretudo, parecem cada vez menos compreender o envelhecimento como um fenômeno que faz parte da vida tanto quanto a juventude.

A passagem do tempo está relacionada aos aspectos biológicos e interfere nas relações sociais, que constituem a história humana. A faixa etária determina posições, ações e formas de ser e viver, constituindo possibilidades e identidades coletivas e individuais. Ser adolescente, adulto e idoso significa também pertencer e transitar por espaços diferentes, atuando na vida de formas diversas.

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Fonte: pixabay.com

Um menino de dezessete anos em geral se percebe no mundo de uma forma que não é a mesma que um homem de sessenta anos. Social e culturalmente, desde as civilizações mais antigas, a idade sugere também pertencimento a espaços e a realização de atividades desiguais. Com isso, as hierarquias também podem se apresentar, determinando o que seria melhor, ser idoso ou jovem, ser rapaz, ou senhor.

Na sociedade brasileira, historicamente, a diferenciação por idade traz algumas questões que podem ser vistas de forma mais aproximada. Uma delas é o lugar da mulher no processo de envelhecimento. A outra é o “mito da juventude eterna” que muitas vezes aprisiona as pessoas numa ideia fixa de que ficar mais velho seria ruim.

A mulher brasileira – sobretudo nos períodos Colonial, Imperial e na Velha República – ocupava um lugar de subserviência aos homens sustentado pela falsa crença de superioridade masculina que foi base para a cultura brasileira durante muito tempo. Neste sentido, para satisfazer os desejos dos homens e corresponderem a este ideal, a juventude é uma característica normalmente associada para que a mulher seja reconhecida.

Atualmente, ainda que a sociedade brasileira tenha se modificado bastante, a velhice feminina ainda é tratada como um problema no imaginário coletivo. Frases assim são comuns:

– Nossa! Por que ela não pinta esse cabelo?

– Meu Deus! Como ela está cheia de rugas! Deveria fazer uma plástica!

– Você viu? Ela já fez tanta plástica que não tem mais onde mudar!

Essas indagações e afirmações revelam exatamente a dificuldade que ainda persiste em reconhecer o envelhecimento como um processo comum e inerente à vida humana. As mulheres – ainda vistas como objetos sexuais – não deveriam envelhecer (nessa forma de percepção) por não corresponderiam mais ao padrão imposto pelos homens. Quando um homem tem cabelos grisalhos é muito mais comum se ouvir que ele está “charmoso”. Quando uma mulher começa a mostrar sinais de que chega à maturidade, as cobranças estéticas muitas vezes são tão intensas que sufocam e constrangem.

Envelhecer é um direito de todos.

As mulheres – idosas e mais velhas – possuem o direito de ser.

Isso é liberdade!

Pensemos nisso, também, assistindo ao episódio sobre Diversidade Fenotípica, no Quadro Diversidades, do Programa Intervalo, da Rede Anísio Teixeira!

Segue o link:

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/programas/exibir/id/3950

Carlos Barros

Professor de Rede Estadual

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