Maria Felipa – A heroína negra esquecida

Olá, pessoal!

Quem aporta nas praias da Ilha de Itaparica, localizada na Baía de Todos os Santos, talvez nem possa imaginar que naquelas areias percorreu bravamente a figura que teve papel crucial nas lutas pela Independência da Bahia. Contrariando a conjuntura de sua época, que, às mulheres, sobretudo às mulheres negras, eram destinados servis papéis de subordinação na sociedade, Maria Felipa de Oliveira fez palco na história e atuou bravamente na liderança de seu território em busca de melhores tempos para o seu povo.

Diferentemente de mulheres que atuaram nas disputas que culminaram no 2 de julho, a exemplo de Maria Quitéria e Joana Angélica, a guerreira itaparicana teve o seu nome diminuído na história oficial e foi relegada ao esquecimento, principalmente por ser negra e trabalhadora braçal.

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No mês em que buscamos discutir e evidenciar a trajetória do povo negro ao longo dos tempos, termos consciência de que a memória avivada sobre os feitos de nossos ascendentes também influência os rumos da nossa caminhada e a busca por respeito e reconhecimento de direitos. A reflexão sobre os processos que destinam lugares de inferioridade aos negros, a despeito de seus esforços, é uma prática que deve ser feita constantemente e em todos os espaços de formação dos sujeitos.

A invisibilidade de Maria Felipa e de outras personalidades negras no memorial popular brasileiro é um reflexo de como milhares de mulheres negras têm suas vidas impactadas pela hegemonia de excludentes conceitos de gênero, classe e etnia.

Nesse sentido, não se pode mais ignorar o papel fundamental do processo formativo de identidade dos cidadãos e a função crítica  proporcionada pela educação. Como educadores, precisamos influir no ensino formal realizado nas escolas para termos ainda mais evidente a perspectiva da sociedade igualitária que buscamos e a inserção do contexto de educandos e educadores torna-se imprescindível para que a tão sonhada voz da igualdade seja sempre a nossa voz.

(Re) Conheçam um pouco da história de Maria Felipa

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Retirado do mar, o sustento cotidiano enche bacias. Mariscar, com a destreza de quem não vê tempo ruim e da natureza extrai o que lhe cabe, é a sua especialidade.                                                                                                                                                            As robustas mãos, fortalezas erguidas, impedem lusos batalhões de dominar os termos itaparicanos. Chusma negra, indígena, másculo e feminina, em seu comando, na branca areia, põe-se a espreitar a liberdade, a iminente liberdade, vindoura das lutas protagonizadas pelo extraordinário, o impensável fêmeo levante. Como a areia içada ao vento, seu nome nas memórias não protagoniza. Lembremos, em tempo ainda, a bravura da mulher heroína, saudemos a guerreira negra Maria Felipa.

Abraços!

Fontes: Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia – IRDEB; Tv Anísio Teixeira

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