E essa tal de Sustentabilidade?

Fala, galera do bem!

Neste mês, se fala muito de sustentabilidade e suas questões, devido ao dia 5 de junho, dia em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente. Esse dia foi instituído em nosso calendário pelas nações unidas em 1972, em decorrência da primeira conferência mundial sobre o meio ambiente, em Estolcomo, na Suécia, onde também foi construído o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

O termo Sustentabilidade foi introduzido pela primeira vez nas discussões sobre o homologaolvimento humano, neste planeta, pelo analista Lester Brown na década de 1980. Lester é fundador do Worldwatch Institute e nos deixou como conceito de uma sociedade sustentável aquela que tem a capacidade de satisfazer suas necessidades, sem reduzir as oportunidades das futuras gerações.

Flor

E passadas mais de três décadas da “tal sustentabilidade”, será que já podemos viver sem comprometer a autonomia das futuras gerações? Será que o sistema que escolhemos é capaz de conviver com essa teoria? O capitalismo é autofágico e se alimenta do que produz, inclusive se apropriando de certas terminologias. Alguns teóricos ambientalistas suscitaram a teoria comportamental dos 3 Rs (reduzir, reutilizar e reciclar), mas o engraçado é que o sistema de capital se apropriou apenas de um, o reciclar, que virou a bandeira de algumas corporações, com o slogan – consuma, que reciclamos! Mas se pensarmos de maneira sistêmica, vamos descobrir que a real intenção é o consumo e não a reciclagem. O sistema de capitais não leva em consideração o comportamento sistêmico do planeta, mas, sim, interesses individuais e coorporativos, apropriando-se de três grandes redes: a tecnológica, a científica e a comunicacional.

Tem uma corrente do pensamento que é chamada de “pensamento sistêmico” que propõe que enxerguemos o todo (o sistema integrado e os seus processos) e não apenas processos isolados, pois tudo está interligado e interdependente.

Plantas

É nesse sentido que o Professor Fritjof Capra nos propõe uma nova forma de vermos o mundo e de nos comportarmos perante ele. Ele nos conta que precisamos compreender os princípios de organização que os ecossistemas homologaolveram para manter a sustentabilidade da vida. (A essa forma de pensar, Capra chamou de Alfabetização Ecológica).

A palavra “ecologia” vem do grego oikos (casa) e de como essa “casa” funciona e se relaciona. A ecologia é um campo muito vasto, podemos estudá-la como disciplina científica, como filosofia e/ou como estilo de vida ou ecologia profunda. Essa última é o que queremos discutir neste texto.

Criança

A “ecologia profunda” não separa o homem do ambiente e, na verdade, tudo está unido e deve funcionar como um único sistema. Nessa proposta, o homem deixa de ser o centro das coisas e passa a ser mais um elemento da engrenagem, podendo dar continuidade ou simplesmente danificar a teia da vida. Claro que existem diferenças entre os ecossistemas e as comunidades humanas, onde temos que levar em consideração, além dos fatores bióticos, os fatores sociais e de comportamento. As sociedades humanas que ainda hoje podem nos ensinar essa tal de sustentabilidade são as comunidades tradicionais, como os povos indígenas e as comunidades extrativistas que, em decorrência de sua vasta experiência ecológica, internalizam e espiritualizam os ecossistemas, compreendendo o seu pleno funcionamento, integrando-se ao ciclo, sem interromper seu fluxo, tornado o sistema terra sustentável para si e as futuras gerações. Um dos legados desses povos tradicionais consiste em:

– Entender que nenhum ecossistema deve produzir resíduos, já que esses devem voltar ao ciclo, como fonte de alimento;

– A base de toda energia deve vir do Sol;

– A diversidade assegura a resiliência (capacidade de existir);

– A força deve ser substituída pela cooperação e trabalho colaborativo, para dar segmento ao ciclo e às trocas de informações.

Para que essa “tal sustentabilidade” realmente exista e se torne um elemento transformador do comportamento, é preciso escutar e ensinar a sabedoria dos povos tradicionais, para construirmos uma alfabetização ecológica, aliando a esse conhecimento uma ciência, uma tecnologia e um sistema comunicacional comprometido com esse ideal. Só assim conseguiremos coexistir com nossa terra mãe.

Texto e imagens:

Peterson Azevedo – Professor da Rede Pública de ensino do Estado da Bahia.

Bibliografia

http://ambiente.educacao.ba.gov.br/

CAPRA, Fritjof. The Web of Life: A New Scientific Understanding of Living Systems. Editora Cultrix, Califórnia – US. 1996;

SANTOS, Milton. Por uma outra Globalização. Ed. Record. Rio de Janeiro – RJ. 2000;

TRIGUEIRO, André. Meio ambiente no século 21. 5. Ed – Campinas, São Paulo. SP. 2008;

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