Salvador: uma mistura de tudo um pouco!

Por Telma Gonçalves*

Fundada em 1549, Salvador foi a sede do poder político e econômico da Coroa portuguesa no Brasil por mais de 200 anos. Mesmo quando a capital do reino do Brasil foi deslocada para o Rio de Janeiro, em 1763, Salvador continuou sendo um importante entreposto comercial do Império Português em que o fumo, a cachaça e o açúcar eram escoados para as mãos de traficantes de escravos que utilizavam essas mercadorias para comprar africanos na costa ocidental e centro-ocidental da África.voltaire_fraga_pinacoteca_f_005

O porto da Bahia, localizado ainda hoje na Cidade Baixa tornou-se conhecido como o porto do Brasil, como se na extensa faixa marítima da conquista portuguesa na América não houvesse outros. Um vai e vem de gente de todo o mundo, africanos sudaneses e banto, franceses, ingleses, holandeses e portugueses súditos da Coroa portuguesa – oriundos de Macau, da Índia, Angola e Moçambique – transitavam pelas ruas de Salvador no século XVIII e princípios do XIX! Essa terra era um verdadeiro caldeirão cultural.

Nas ruas oitocentistas de Salvador era falado o português, bem como uma língua crioula de tipo nagô, dentre outras trazidas pelos africanos de diversas origens. O yorubá, língua dos nagôs oriundos da Nigéria Ocidental e Baixo Daomé, podia ser ouvido em muitos “cantos”, como eram chamadas as esquinas do centro histórico em que se reuniam escravo de ganho de nações diversas1. É certo que o quimbundo, falado na África centro-ocidental, também poderia ser escutado por quem passasse junto a africanos saídos dos portos de Angola e Benguela. E, deste modo, falares africanos misturados ao tupi-guarani, língua dos primeiros habitantes do Brasil, foi dando forma ao português do Brasil!

1 Castro, Yêda Pessoa de. A Sobrevivência das Línguas Africanas no Brasil: sua influência na linguagem popular da Bahia. https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/3626/1/afroasia_n4_5_p25.pdf.

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* Professora da Rede Estadual de Ensino