“O Desabafo é plural em suas singularidades”

Foto: Autorretrato
Foto: Autorretrato

A soteropolitana Monique Evelle Nascimento Costa tem 20 anos, está no 4º semestre do Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades com ênfase em Política e Gestão da Cultura, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), e é moradora do Nordeste de Amaralina, em Salvador. Em 2011, fundou o Desabafo Social, uma rede que atua promovendo ações de direitos humanos. Desde agosto do ano passado, é Secretária Geral da Rede de Participação Juvenil da Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Adolescência (ABMP) e também foi escolhida para ser uma jovem multiplicadora da SaferNet Brasil, entidade referência no enfrentamento aos crimes e violações aos Direitos Humanos na Internet. Além disso, é a representante da região Nordeste da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadores, cujo trabalho é facilitar a troca de conhecimentos e experiências de grupos de comunicação da Região Nordeste. Nesta entrevista, feita por e-mail, Monique explica como se dá o trabalho homologaolvido no Desabafo Social, como uma pessoa pode se tornar colaboradora, o reconhecimento recebido e a perspectiva do projeto para o futuro. Confira!

Blog do Professor Web: O que motivou a criação da rede Desabafo Social?

Monique Evelle: O que motivou foram as referências que fui tendo no caminho, como, por exemplo, o livro Por uma semente de Paz [de Ganymédes José], que li quando estava na terceira série. O livro conta a história de uma professora que foi lecionar numa periferia e conseguiu mudar a realidade dos alunos e da comunidade. Eu sempre quis ser aquela professora.

BPW: Quais são as ações da iniciativa?

ME: Realizamos oficinas, rodas de conversas relacionadas aos temas voltados para Direitos Humanos da Infância e da Juventude, Comunicação e Educação. Temos um programa de rádio online, um blog totalmente colaborativo e, agora, começamos a fazer cobertura e assessoria educomunicativa.

BPW: Como uma pessoa pode entrar nessa rede?

ME: Apesar de termos colaboradores espalhados por seis estados, costumamos dizer que o Desabafo possui uma infinidade de

Monique, no Nordeste de Amaralina, numa das ações do Desabafo Social
Monique, no Nordeste de Amaralina, numa das ações do Desabafo Social. Foto: Tâmara Brito

pessoas, porque encontramos sempre alguém na rua, nas atividades, que diz: “Eu também sou Desabafo Social.” Isso é demais! Para facilitar essa participação na rede, disponibilizamos materiais de apoio e oferecemos suporte para que atividades sejam consistentes e interativas. Quem quiser participar do Desabafo, é só articular conosco as oficinas nas escolas, comunidades e organizações; debates, divulgar em redes sociais, escrever para o nosso blog e etc. E também, suas ideias e ações devem, com certeza, não violar os direitos humanos.

BPW: Qual é o seu objetivo com o Desabafo Social?

ME: É continuar inspirando pessoas. Inspirar para transformar. Comunicar para transformar.

BPW: Como você falou, o Desabafo Social tem colaboradores em mais seis estados do país. Como essa expansão acontecceu?

ME: Em dezembro de 2012, quando lançamos a primeira edição da nossa revista online [a Desabafo Social], as pessoas começaram a procurar o Desabafo para poder realizar as ações. Tive que pensar em estratégias para formar uma rede de adolescentes e jovens. Além disso, como o Desabafo utiliza uma linguagem adaptada para cada público, isso faz com que as pessoas se sintam parte de toda construção, se sintam parte do Desabafo.

BPW: Em termos educacionais, quais são os impactos que projeto traz para a sociedade?

ME: Todas as crianças, adolescentes e jovens que participaram do Desabafo, conseguem, hoje, aguçar o olhar crítico em relação às questões sociais. Não são mais omissos às informações transmitidas pelos meios de comunicação de massa. Um exemplo claro disso é uma menina de nove anos, que articula com seus colegas e professores ações que, geralmente, não são discutidas na escola, como direitos humanos na internet, racismo e intolerância religiosa.

BPW: Como as tecnologias digitais auxiliam no homologaolvimento do projeto?

ME: Apesar de grande parte dos brasileiros ainda não ter acesso a internet, se não fossem as TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), não haveria expansão e continuidade do Desabafo. Não temos nenhum apoio financeiro para impressão da nossa revista, logo, publicamos online. Não temos como ter um espaço numa rádio FM de grande porte, logo, é preciso ser online.

Fotografia de Julianne Gabillaud
As crianças do Nordeste de Amaralina vão em direção a Monique: reconhecimento. Foto: Julianne Gabillaud

BPW: O seu trabalho já foi reconhecido por algumas instituições, uma vez que você já recebeu vários prêmios. Como você encara isso?

ME: É muito bom ver um trabalho de formiga sendo reconhecido. Os reconhecimentos vêm com tempo, mas a gente nunca espera. Sempre é um surpresa.

BPW: Quais são as perspectivas de futuro para o Desabafo Social?

ME: Espero que o Desabafo continue crescendo e que, com o tempo, possamos ter nosso espaço físico e conseguir apoio logístico para continuar fazendo bem o que a gente faz.

BPW: Tem algo que não foi perguntado e que você gostaria de falar?

ME: Costumamos dizer, no Desabafo, que “eu sou porque nós somos.” A ideia é mostrar que o Desabafo é plural em suas singularidades.

 

Monique Evelle: http://moniqueevelle.wordpress.com/.

Desabafo Social: http://desabafosocial.com.br/blog/.