Culturas indígenas em debate

“O Brasil não foi descoberto. O Brasil foi invadido”. Essas palavras, ditas pela índia Potyra Tê Tupinambá, na videoconferência Apropriações tecnológicas no ensino – aprendizagem da história e cultura dos Povos Indígenas, realizada na quarta-feira, 23 de abril, no Instituto Anísio Teixeira (IAT), revelam a forma como os povos indígenas querem ser representados: sem invasão. E invasão, aqui, não é só metáfora; é constatação. Além de trazer reflexões sobre a cultura indígena, o principal objetivo da videoconferência foi o de estimular a implantação da Lei 11.645/08, que trata da obrigatoriedade de incluir no currículo oficial da rede de ensino a temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. A mestre em educação pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Rosilene Cataa Tuxá, e o antropólogo e professor da UNEB, José Augusto Laranjeiras Sampaio, também integraram a mesa de discussões.

Na abertura do evento, o coordenador geral da Rede Anísio Teixeira, Yuri Wanderley, enfatizou a importância de o texto da lei ser lido e relido e fez uma exigência: “Mais importante do que saber sobre a cultura dos povos indígenas, é conhecer a história e cultura contada pelos próprios indígenas”. Nesse sentido, a índia Potyra indicou algumas mídias digitais em que indígenas falam de sua história e cultura, como os sites Índio Educa e Oca Digital. Segundo ela, a troca de ideias é a melhor forma de introduzir a cultura indígena em sala de aula. A militante destacou também a função dos Pontos de Cultura Indígenas, que fazem parte do programa Cultura Viva, do governo federal. “É um espaço de diálogo, de interação e de construção do conhecimento”.

Rosilene Cataa Tuxá afirmou que os povos indígenas estão se apropriando das novas tecnologias de forma eficaz e consciente. Sobre a efetiva implantação da Lei 11.645/08, ela acredita que vai auxiliar para que a cultura indígena não seja reproduzida de forma estereotipada. “Vai contribuir para desconstruir uma história que foi construída pelo olhar do colonizador”. José Augusto Laranjeiras Sampaio, que também é diretor e sócio-fundador da Associação Nacional de Ação Indigenista (ANAÍ), acha que a lei veio para preencher uma lacuna. “É uma forma de superar estereótipos. Contudo, em relação aos professores, é preciso desensinar para ensinar. Ninguém ensina o que não sabe”, pontuou.

A videoconferência foi transmitida para mais de 25 cidades baianas, entre elas Ilhéus, Caetité, Feira de Santana, Macaúbas, Itabuna e Eunápolis. Se você não conseguiu acompanhar ao vivo e tem interesse no tema, segue vídeo com conteúdo completo da Videoconferência.

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Forte abraço.