Honraria merecida a mãe Stella de Oxóssi

A Academia de Letras da Bahia – ALB ficou ainda mais rica em cultura após a cerimônia que oficializou a posse de Mãe Stella de Oxóssi. A sacerdotisa assume a cadeira de número 33, que tem como patrono o poeta Castro Alves. Com tal honraria, Mãe Stella se torna a primeira mulher negra e ialorixá a ser reconhecida imortal pela academia.

Nascida em 2 de maio de 1925, em Salvador. Mãe Stella é a quarta filha de Esmeraldo Antigno dos Santos e Thomázia de Azevedo Santo. Ainda com treze anos, após consultar-se com o oluô Pai Cosme de Oxum, o qual declarou que ela deveria ser iniciada no candomblé e que seu caminho era de ialorixá, a jovem Stella começa a trilhar seu odu (destino), que se formalizou aos 14 anos com o ritual de iniciação.

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Mãe Stella estudou no colégio Nossa Senhora Auxiliadora, formou-se pela Escola de Enfermagem e Saúde Pública UFBA, exercendo a função de Visitadora Sanitária por mais de trinta anos. Em 29 de junho de 1964, foi designada kolabá e, aos poucos, foi aprendendo os grandes mistérios e segredos do candomblé. Em 19 de março de 1976, foi escolhida para ser a quinta ialorixá do Ilê Axé Opó Afonjá.

A ialorixá já recebeu honrarias como a comenda Maria Quitéria, da prefeitura de Salvador; a  Ordem do Cavaleiro, do governo do estado; e a comenda do Ministério da Cultura, pelos seus serviços prestados à cultura nacional. Além de dois títulos de Doutor Honoris Causa, oferecidos pela UFBA e pela UNEB, num reconhecimento ao seu trabalho. Também publicou seis livros cujos temas são sempre ligados à sua religiosidade e à história dos povos tradicionais africanos, são eles: “E Dai Aconteceu o Encanto“, 1988;  “Meu Tempo é Agora “, 1993.  “Lineamentos da Religião dos Orixás – Memória de ternura“- 2004;  “Òsósi – O Caçador de Alegrias“, 2006;  “Owé – Provérbios” – Salvador – 2007; “Epé Laiyé – terra viva“, 2009.

No discurso da cerimônia de posse, a ialorixá fez referência a Castro Alves dizendo: “Muitas pessoas lutaram para que eu pudesse ocupar esta cadeira. Entre elas. o patrono, que em ‘vozes d’África’, clamou por nós”. E continuou lembrando o próprio passado histórico: “Se minha bisavó chegou ao Brasil presa a muitos outros negros africanos, hoje, aqui me encontro acorrentada por um adorno que me une a todos os baianos, brasileiros e humanos. Letrados ou não letrados (…)”. Por reconhecer a importância que tem a educação para a transformação da realidade da população negra e na redução das desigualdades sociais, tendo fundado a Escola, hoje municipalizada, Eugênia Ana dos Santos, declarou em outra ocasião: “ […] a sabedoria não tem cor e não pertence a nenhuma raça específica.”

Conheça mais sobre a vida desta sacerdotisa e suas contribuições para nossa história acessando este vídeo: Mãe Stella de Oxóssi. Valeu, galera! Até mais!

Fontes: IRDEB/TVE, SECOMALB  e  SEPPIR.