Semana da Mulher 2013 – As mulheres e suas lutas coletivas

Salve, turma!

Não é de hoje a luta de muitas mulheres pela conquista de espaços e de ouvidos para os ecos de suas vozes. Se considerarmos esta luta de maneira mais organizada, e fizermos uma viagem histórica no tempo, veremos as mulheres do século XIX já lutando por direitos de participação política, pelo direito de votar e serem votadas e pelo direito de também se educarem da mesma forma como os homens. As mulheres, em especial as inglesas, chamadas sufragistas, tiveram um papel de destaque e influenciaram mulheres de todo o mundo. Até aqui, na Bahia, as sufragistas ou suffragetts deixaram seus reflexos, pois, sabendo delas, muitas mulheres baianas passaram a se organizar em torno de lutas semelhantes, principalmente as mulheres mais letradas, que tinham maior acesso à educação.

No entanto, de maneira ainda dispersa, mas não sem menor luta, muitas mulheres brasileiras, negras ou pardas, escravas ou já libertas, também preenchiam as nossas ruas vendendo seus quitutes e outras mercadorias ao longo do século XIX. Eram as chamadas “ganhadeiras” que, sem estudo formal, mas cientes da importância de sua atuação nestes espaços para seu próprio sustento e da sua família, desbravavam um universo que, teoricamente, era tido como apenas dos homens: as ruas das cidades. Elas se envolviam em disputas físicas, processavam homens por violência ou por outras questões, e exerciam sua cidadania possível, não obstante todos os obstáculos colocados à sua frente.

Todas essas participações de mulheres ecoaram nos anos de 1960 e 1970 em todo mundo, levando diversas mulheres a se colocarem como seres plurais. Ou seja, se antes a discussão considerava um “ser mulher”, partindo da perspectiva das mulheres brancas e ricas, nas décadas de 1960 e 1970 começam a surgir uma diversidade de grupos femininos e feministas, como o das as negras estadunidenses e o das operárias francesas. Naquele momento, as mulheres diziam ao mundo: somos muitas, somos plurais. Por isso a necessidade de considerarmos as diferentes reivindicações dos variados grupos de mulheres.

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A partir desta novidade, da necessidade de enxergarmos as múltiplas características das mulheres, o feminismo também se multiplicou, passando de um feminismo de reivindicação de direitos ligados à cidadania para os feminismos que reivindicam lugares de classe e raça: feministas socialistas, feministas anarquistas, feministas negras, feministas burguesas etc. Tudo isto ampliou as bandeiras de luta do feminismo e nos fez enxergar as mulheres a partir de diversas lentes, sendo uma destas a lente das relações de gênero. Assim, feministas do mundo inteiro passam a considerar importante compreendermos as relações sociais sem negligenciar a necessidade da luta pela equidade entre homens, mulheres, gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, queer’s

É isso aí, pessoal: nesta semana em que comemoramos o Dia das Mulheres o importante é recordarmos todas essas lutas, a presença das mulheres nos espaços coletivos e a quebra com o processo de silenciamento e exclusão da história.

Um abraço!

Colaborou Ediane Lopes de Santana, professora Assistente no Curso de História da Universidade do Estado da Bahia(UNEB)/CAMPUS X. Atua no movimento feminista da Bahia pelo grupo Feministas da Ação Popular Socialista(FAPS) e é membro do DIADORIM/UNEB, grupo que debate sexualidade.