O Cinema e a Literatura se encontram na Mostra Jorge Cine Amado

O Cinema e a Literatura presentes na Mostra Jorge Cine Amado, realizada no dia 27/11/2012, no Cine XIV-Pelourinho, propiciaram o encontro entre a arte de Jorge Amado com a sétima arte dos irmãos Lumière. Nessa oportunidade, estudantes e professores puderam apreciar e discutir o documentário do cineasta João Moreira Sales, que retrata a trajetória do escritor baiano, suas obras, a historicidade da religião afro-brasileira, destacando a repressão sofrida pelos terreiros de candomblé. Destaca-se também a opinião do autor sobre a mestiçagem, os negros, a cultura nascida nas ruas da capital baiana e a Bahia representada fora de Salvador.

Através da exibição do documentário o público pôde assistir ao depoimento de João Ubaldo Ribeiro, Chico Buarque,SONY DSC Zélia Gattai, Gilberto Gil, Caribé, entre outros. Toda a narrativa foi pontuada pela fala do próprio Jorge Amado, ícone da literatura brasileira contemporânea, mestre na arte de escrever e que registra uma literatura universal ao retratar tão fidedignamente a realidade do seu povo.

Após o documentário, foi exibido o filme Capitães da Areia, da cineasta Cecília Amado, baseado na obra de Jorge Amado publicada em 1937. A narrativa destaca a vivência de um grupo de adolescentes em situação de risco, aos quais Jorge Amado denomina “Capitães da Areia”. O destaque dessa obra está no fato de que os meninos são os principais protagonistas. Esse fato por si só promove uma relação de identificação com o público, composto em sua maioria por estudantes. É possível observar a proteção recíproca entre os Capitães da Areia e o terreiro de candomblé e esses laços são apresentados desde o início do filme, que se dá em uma festa em homenagem a Iemanjá. São retratados os conflitos, as relações de solidariedade, a tensão frequente entre as ações do grupo e as punições do Estado.

O filme inova por descrever a cidade Salvador nos anos 30 a partir da perspectiva de meninos de rua entregues a própria sorte, objetos de ações desumanas como o abandono, maus tratos e castigos. Possuem seu próprio código de conduta em grupo e revelam uma vivência rica em experiências que traduzem liberdade e poder. Sobrevivem de furtos, violências contra moradores da cidade alta e jogatinas. Este passado sombrio e violento se constitui ainda no presente vivido por muitas crianças e adolescentes brasileiros do século XXI, em sua maioria de classes sociais menos favorecidas, frequentadores de boca de fumo, menores infratores e transgressores.

A desigualdade, a exclusão e a dominação são marcas presentes na história da criança e adolescente brasileiro que enfrentam problemas que os colocam em situação de risco e ameaçam a sua cidadania. Neste contexto ressaltamos a importância da implantação de políticas públicas efetivas, que venham atender a este público juvenil.

Galeria de fotos: Cliquem aqui!

Texto de Ana Rita Medrado, Cristiane Britto (Produtora de ConteúdosAudiovisuais) e Valdinéia Oliveira, professoras e colaboradoras da Rede Anísio Teixeira, Programa de difusão de linguagens e Tecnologias da Informação e da Comunicação da Rede Pública Estadual de Ensino.

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