Novembro Negro e Reparação

 Olá, pessoal!

Mês de tratar da importância da pessoa afro-descendente. É quando mais se refere às questões como: cotas, reparação, preconceitos, identidades e orgulho dos negros e pardos no Brasil. A reflexão proposta neste espaço diz respeito ao termo reparação. Há que se compensar os(as) brasileiros(as) afro-descendentes? Claro que sim! É claro também que muitos(as) ainda discordam. A reparação se faz necessária quando algo foi feito de forma equivocada e produziu efeitos danosos a outrém. Danos como a escravidão de qualquer ser humano são irreparáveis. Não há como voltar no tempo…

O que não pode é continuar fingindo que o que passou, passou e pronto! Pensar e agir assim seria o mesmo que naturalizar a forma que negros e negras desumanamente foram explorados(as) e descartados(as). Equivaleria também a aceitar o processo de construção social e cultural como uma entidade neutra, apolítica, isenta de quaisquer responsabilidades para com o(a) semelhante em qualquer tempo e lugar.

Longe de pretender justificar as atrocidades cometidas contra essas populações, convém sinalizar que a escravidão ocorreu num contexto histórico em que a suposta superioridade de um determinado grupo humano sobre os demais era perfeitamente “natural”. Durante o período colonial a ciência desconsiderava que os(as) negros(as) fossem humanos(as), tivessem inteligência ou capacidade de aprender. No entanto, situando historicamente tais acontecimentos é possível compreender que era essa a lente disponível para enxergar a realidade naquele tempo, era esse o pensamento dominante e, infelizmente, socialmente aceitável.

Parece óbvio então que a conveniência econômica era o que mais contava para que a servidão tivesse continuidade e durasse praticamente quatrocentos anos no Brasil. Foi necessário muita resistência e luta de mulheres e homens negros ou não, para que se criassem leis que podem reduzir essas desumanidades e contribuem para o despertar da consciência de que todas as etnias são parte da espécie humana, com todas as suas diferenças e singularidades.

Nesse sentido, leis e punições para crimes de racismo podem servir para evitar a necessidade de reparação. As políticas públicas para educação, saúde, segurança, habitação, alimentação, lazer e outras, podem ser formas compensatórias que, a médio e longo prazos, trazem benefícios a todos(as) os(as) cidadãos e cidadãs indistintamente.

Compreendendo a educação como um direito e não um privilégio, como dizia o educador Anísio Teixeira, ela está longe de salvar uma sociedade, como já se acreditou. No entanto, é uma atividade de grande valia quando se refere não somente à reparação mas, principalmente, à prevenção de desigualdades sociais. Se não salva, pode abrir espaço para a equidade de oportunidades, evitando assim a necessidade de compensações. Uma educação infantil pública, gratuita e de qualidade, se disponibilizada desde a mais tenra idade, vai neste sentido. E é claro, deve ser realizada em uma escola com infraestrutura adequada, profissionais formados(as) e qualificados(as), assegurando assim uma direito inalienável, indispensável à crianças brasileiras, negras ou não. De acordo com a Unicef, crianças que tem acesso a essa modalidade de educação conquistam benefícios para a vida inteira. Por fim, fica a indagação: se bem educar, será preciso reparar?

Elzeni Bahia Góis de Souza

Professora da Rede estadual de Ensino – Colaboradora da Rede Anísio Teixeira.

Publicações relacionadas

  • Qual educação ambiental queremos?3 de junho de 2013 às 19:51 Qual educação ambiental queremos? (0)
    Como dizem por aí, junho é o mês de discutir meio ambiente, correto? Ué, mas com tanta gente passando fome, como alguém é capaz de se […]
  • Família, cultura e diversidade22 de setembro de 2016 às 14:55 Família, cultura e diversidade (0)
    Vem aí o ENEM e a gente aqui do blog está na torcida para que você faça boas provas! Mas só nossa torcida não é suficiente! Você precisa […]
  • Independência ou mudança na conjuntura?6 de setembro de 2012 às 10:15 Independência ou mudança na conjuntura? (0)
    Fala, galera esperta! O que se comemora neste mês como um dos eventos mais importantes do país? Temos certeza que todos(as) sabem a […]
  • [Censurado] O papel da imprensa no Brasil – O Pasquim27 de maio de 2013 às 09:30 [Censurado] O papel da imprensa no Brasil – O Pasquim (0)
    Olá, pessoal! Existiu um período na história do Brasil, que os(as) filhos(as) deste solo, viveram apreensivos(as), com os rumos políticos […]
  • Pluralidade Cultural no Enem21 de setembro de 2016 às 14:00 Pluralidade Cultural no Enem (0)
    Olá pessoal! A prova do Enem está se aproximando, e nesse momento, é hora de pensar nos temas que possivelmente vão estar presentes na […]
  • diferENTES!24 de setembro de 2015 às 13:59 diferENTES! (0)
    Olá, pessoal! A melhor forma de aprender os costumes e a história de qualquer civilização é conhecendo sua diversidade cultural, pois […]
Novembro Negro e Reparação

Nossos Colaboradores