Novembro Negro – Transformando a opressão em poesia!

Olá, pessoal! Tudo bem?

Vocês gostam de literatura?

A literatura, mais que o ato de escrever ou mesmo um conjunto de texto, é, para além disso, uma forma de retratar a história de povos, sociedades, enfim, contar de maneira ilustrada casos, vivências, hábitos e costumes de certos lugares, que tornam-se conhecidos através de livros e narrativas, que em meio as ficções trazem também fatos reais.

No Brasil, por muito tempo se ouviu histórias que falavam de heróis e heroínas contando as façanhas de parte da sociedade, em detrimento de uma maioria que não se fazia referência, e quando isso acontecia era cercado de preconceito e visões estereotipadas.

Não é comum encontrar nos livros de literatura a representação da cultura africana ou a participação de afrodescendentes inseridos no contexto das principais obras, independente de quem as escreveu.

Diante desta problemática, nossa equipe bateu um papo com escritor baiano Lande Onawale, que trabalha com literatura negra, autor de contos, livros e poemas, ele nos traz outras perspectivas acerca deste assunto.

Conheçam sobre suas obras através do seu blog. Cliquem aqui!

Equipe do Professor Web – Lande, o que levou você a homologaolver obras voltadas para a comunidade negra?

Lande Onawale – Não são obras voltadas para a comunidade, mas onde é comum a vida de pessoas negras serem tratadas em primeiro plano. São, na verdade, obras negras voltadas para o mundo.

Equipe PW – Como você avalia a inserção de negros e negras na literatura nos dias atuais?

Lande Onawale – Limitado, ainda. Seja enquanto autor ou tema. Imagino que ainda são brancos e brancas, mais de 80% dos autores e personagens mais lidos da literatura brasileira – contemporânea, ou não. Assim, no imaginário coletivo que acredito a literatura ainda tem importante papel, negros e negras são configurados a partir de um olhar que não o seu.

Equipe PW- Suas obras são direcionadas a uma determinada faixa etária ou é para todas as idades?

Lande Onawale – Não há um direcionamento consciente, assim, penso que seja para todos, mas naturalmente nem todos se interessam, ou curtem. Cada leitor/a está habilitado/a a dizer para quem/que serve minha obra – e não depende de mim autorizá-lo(a).

Equipe PW – De forma resumida, quais as principais contribuições da literatura para nossa cultura?

Lande Onawale – Acredito que os livros ainda têm um papel importante como instrumento de transmissão de cultura. No mínimo, o livro é algo bem legal pra nos colocar na contramão da correria geral.

Equipe PW – Você acha que a juventude hoje, está mais consciência em relação ao respeito às diferenças?

Lande Onawale – Acho que sim, mas, infelizmente, a consciência não tem sido capaz de refrear a violência – se algum dia foi capaz. Temos mais jovens conscientes, mas não necessariamente pacíficos. O não-hétero, o não-branco, o não-masculino, o não-cristão ainda são os principais alvos de uma quantidade expressiva de jovens. Arrisco dizer que uma das causas está na distância que guardam de bons livros, boas e comoventes histórias.

Equipe PW – Por fim, que mensagem você deixaria para todas as pessoas que vivem num processo de invisibilidade, seja nos livros, revista, na televisão, bem como em outros segmentos da sociedade?

Lande Onawale – Que saiam dela (da invisibilidade). Que se inscrevam nos textos, se autores/as, ou busquem textos que lhe reflitam, se leitores/as. Não aceitem que seus dramas e alegrias sejam eternamente proscritos.

Valeu, galera!

Até a próxima!

* Lande Onawale é graduado em História, além de compositor e educador.

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