Surdos(as) Comemoram uma Década de Oficialização da Libras no Dia Nacional do(a) Surdo(a) em Brasília

Olá, pessoal!

Ontem, 26 de setembro, celebrou-se o Dia Nacional dos Surdos. Esta é uma data muito significativa para as pessoas surdas no Brasil porque nesse dia, no ano de 1857 no Rio de Janeiro, foi inaugurada a primeira instituição brasileira especializada em educação de não ouvintes, fundada pelo surdo francês E. Huet, com o empenho do imperador D. Pedro II (a propósito: haveria algum(a) surdo(a) na corte?). O INSM – Instituto Nacional de Surdos Mudos é atualmente o INES – Instituto Nacional de Educação de Surdos, que é uma referência importante para a educação das pessoas afetadas pela surdez no País. Esta data foi instituída pelo Projeto de Lei 11.796 de 29 de outubro de 2008 através do deputado Eduardo Barbosa, no Governo do então presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Num breve sobrevoo pela história da educação dessa população, pode-se ver que desde tempos remotos eram eliminados(as) assim que se descobria a surdez. Na Grécia, o filósofo Aristóteles recomendava o extermínio dessas pessoas por considerá-las seres desprovidos de espírito, por não serem capazes de verbalizar as palavras. A própria Bíblia diz: “No princípio era o verbo(…)”, e verbo, para os surdos não oralizados, só se for sinalizado, no caso do Brasil através da Língua Brasileira de Sinais, a Libras. Estas e outras razões levaram os(as) não ouvintes a desconhecerem os seus direitos, incluindo o de serem, simplesmente, gente!

No Brasil, a fundação do INES foi fundamental para o primeiro atendimento educacional institucionalizado a estas pessoas. Mais tarde passou a formar estudantes e professores(as) de outros Estados da Federação, inclusive da Bahia. Em 1959, um grupo de professoras soteropolitanas passou dois anos no Rio de Janeiro se especializando para formar as primeiras classes de surdos(as) da capital que funcionavam inicialmente dentro do Hospital Santa Luzia, no bairro de Nazaré. Foram os primeiros sinais de investimento por parte do poder público baiano voltado para essa população.

Longe de ser o desejável, essa iniciativa foi muito importante para que tempos depois outras conquistas fossem viabilizadas, dentre elas a oficialização da Libras em 2002, culminando com a inclusão desta nos currículos de formação de professores(as), o que fez com que a língua dos(as) surdos(as) não oralizados despertasse o interesse de não ouvintes e ouvintes em adquiri-la através de cursos cada vez mais procurados.

Neste 26 de setembro eles(as) estiveram na capital federal para comemorar os dez anos da Lei que tornou oficial a Língua Brasileira de Sinais. Uma década marcada por muitos desafios, não somente na implementação da Lei como no investimento na mudança de comportamento de ouvintes e surdos(as), em relação ao direito a terem direitos.

Parabéns a todos(as) eles(as) por tudo aquilo que arduamente conquistaram e ainda vão conquistar!

 

Texto da professora, psicopedagoga, especialista em Educação Especial na Perspectiva Inclusiva Elzeni Bahia Gois de Souza, colaboradora do Programa Rede Anísio Teixeira.