Mês da Consciência Negra – João Cândido – O Almirante Negro

“Há muito tempo nas águas da Guanabara

O dragão do mar reapareceu

Na figura de um bravo marinheiro

A quem a história não esqueceu

Conhecido como o almirante negro”

(O mestre sala dos mares – João Bosco / Aldir Blanc)

João Cândido Felisberto nascido em 1880 no município de Encruzilhado do sul no Rio Grande do Sul, entrou na Marinha brasileira em 1985. Naquele período a marinha brasileira era formada em sua maioria por negros e mulatos que ocupavam as baixas patentes e era recorrente a prática de castigo físico semelhante aos maus tratos da escravidão, assim como as más condições da comida que lhes era servida.

Desgostosos com o péssimo tratamento que recebiam dos comandantes, a situação tornava-se cada vez mais insustentável. E não tardou a eclodir em revolta, quando o marinheiro Marcelino Rodrigues Menezes, depois de ferir um colega com uma navalha durante uma briga, foi punido com 250 chibatadas, diante de todos os presentes e ao som de tambores.

Os demais marujos ficaram inconformados diante de tamanha brutalidade e covardia e, sob o comando de João Cândido foi criado um comitê visando suscitar a revolta.

Os marinheiros então se rebelaram, matando quatros oficiais do navio. E sob a ameaça de bombardear a cidade do Rio de Janeiro (que era a capital federal), caso suas reivindicações não fossem aceitas. Todavia, as suasrequisições nada mais eram que pedidos do fim dos castigos físicos, uma alimentação  digna, além de anistia para todos os participantes da armada.

Sobre o olhar perplexo de muitos curiosos que optaram por ver de perto aquele acontecimento inédito, o governo Marechal Hermes da Fonseca e a Marinha, depois de discreparem a respeito de qual seria a melhor forma para solucionar o impasse, acabaram por aceitar as exigências, prometendo por o fim às punições físicas e anistiar os que se rendessem. Porém, após se entregarem os marinheiros foram punidos com expulsão e muitos foram detidos por subversão ao comando militar e enviados para Ilha das Cobras, onde receberam um tratamento desumano, numa cela cuja respiração era dificultada devido a forte quantidade de cal virgem que ali se encontrava, sendo letais para os prisioneiros, tanto que no dia seguinte à prisão, havia apenas dois sobreviventes: o soldado naval Pau de Lira e João Cândido. Outros foram mandados enviados à Amazônia para fazer trabalhos forçados, além dos que foram fuzilados durante o trajeto.

João Cândido foi internado como louco, dois anos depois foi julgado e expulso da Marinha.

É pertinente ressaltar o que a história por muito tempo deixou de lado:

O quanto foi importante a participação de João Cândido nesse movimento, afinal foi sob a sua liderança que os marinheiros conquistaram alguns privilégios, no entanto o nosso Almirante Negro como ficou sendo chamado posteriormente, terminou seus  dias como pescador, vivendo com dificuldade, lutando para garantir o sustento da sua família.

Entretanto cabe a cada um de nós que conhecemos a história da Revolta da Chibata, não deixarmos que as contribuições de João Cândido caiam no esquecimento. Aprendamos com elas e mostremos que a sua luta não foi em vão.

Salve o Almirante Negro!

Quer saber mais sobre o João Cândido e a Revolta da Chibata, acesse:

http://www.projetomemoria.art.br/

http://pt.wikipedia.org/wiki/joão_Cândido

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