Itamaraty oferece bolsas de estudo para estudantes afrodescendentes

Estão abertas as inscrições para bolsas de estudos de R$ 25 mil por ano oferecidas pelo Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, para afrodescendentes interessados em seguir a carreira diplomática. De acordo com a instituição supera a lógica da cota nos concursos, estabelecendo meios de financiar a preparação de afrodescendentes para as disputadas vagas do ministério.

O candidatos que desejam concorrer a uma das bolsas oferecidas pelo Instituto Rio Branco e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Capes) tem que se inscrever até o dia 20 de novembro. Eles passarão por processo seletivo, com prova objetiva aplicada em dezembro e entrevista em março de 2012. Para maiores informações e para realizar a inscrição, basta acessar o site do Cespe. A taxa de inscrição é de R$ 86.

A iniciativa segue uma das orientações presentes na Carta de Durban, documento resultante da Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, realizada em 2001 na cidade sul-africana.

Uma das principais decisões da conferência, que terá este mês em Salvador (BA) seu desdobramento, foi o reconhecimento da necessidade de implementar políticas de reparação em favor das populações descendentes de africanos escravizados durante a colonização da América e da África.

Para o ministro-chefe da Divisão de Temas Sociais do Ministério das Relações Exteriores, Silvio Albuquerque, a oferta de bolsas supera a política de cotas. “Esse é um modelo a ser seguido. É claro que a solução seria a melhoria da educação pública no País, mas o Estado tem a obrigação de reparar as desigualdades causadas historicamente aos afrodescendentes”, afirmou o diplomata. Silvio Albuquerque destaca que essas bolsas garantem a preparação dos candidatos, oferecendo a eles, por meio do Instituto Rio Branco, uma preparação efetiva para a disputa das vagas da carreira diplomática.

O programa de bolsas foi criado, segundo relato de Albuquerque, em 2002. “A partir do Encontro do Durban, em que o Brasil se comprometeu a homologaolver políticas de reparação voltadas para afrodescendentes, o Itamaraty iniciou esta ação, que já vem dando bons frutos, com a chegada de mais de uma dezena de diplomatas afrodescendentes à instituição”, relata.

Fonte:http://www2.tv.ufba.br/noticias/itamaraty-oferece-bolsas-de-estudo-para-estudantes-afrodescendentes