Sexto dia da Flica – Encerramento

O último dia da Festa Literária Internacional de Cachoeira não poderia ter começado melhor. A mesa da manhã, que recebeu os poetas baianos contemporâneos José Inácio Veira de Melo, João Vanderlei de Moraes Filho e Darlon Silva, prestou uma justa homenagem ao falecido poeta e cidadão de Cachoeira, Damário Dacruz. Quem mediou foi o editor da revista eletrônica Verbo21, Lima Trindade.
Recitando, sempre que possível, Dacruz, João Vanderlei refletiu sobre a  poesia. Ele disse que, quando começou, foi muito questionado quanto ao fato de ser ou não um poeta. “O jovem quando está começando quer romper barreiras, mas isso faz com que não seja acolhido dentro de uma tradição literária”, afirmou.

Silva, com seus 20 anos, foi o mais jovem participante da Flica. Para ele, não tem como dizer que a literatura baiana contemporânea é de vanguarda, só a posterioridade é quem vai definir. Silva foi o grande vencedor do TAL 2010 (Tempos de Arte Literária), festival promovido pela Secretaria da Educação da Bahia.

Sobre a produção de poetas bainos atuais, Melo declarou que não conhece poeta pronto, mas muitos estão produzindo e movimentando-se. Quanto  à sua poesia, ele falou: “Não quero poesia perfeita para mim, quero cheia de imperfeições e humanidades”.

A mesa vespertina foi a mais descontraída de todas da Flica. A irreverência dos escritores Reinaldo Moraes e Victor Mascarenhas trouxe à baila o tema Escrachos, Escárnios e Pornografia. Mascarenhas disse que a pornografia é um elemento da sua escrita, é a razão da história. Já Moraes explicou que nesse tipo de literatura: “as cenas de sexo não têm o objetivo de excitar o leitor, por isso não tem o perfil erótico”.

A literatura de Língua Portuguesa e as relações entre Portugal e suas antigas colônias foram os assuntos discutidos na última mesa da Flica 2011. Portugal, Cabo Verde e Angola foram representandos por João Pereira Coutinho – escritor e colunista, Germano Almeida – escritor, e Camilo Afonso – diretor do centro cultural Casa de Angola na Bahia, respectivamente.

Afonso informou que seu país, depois de ter vivido anos de luta armada para conquistar a independância, hoje está num processo de reconstrução: “Se não fosse o Brasil, não sei o que seria de Angola. O apoio dos países do Leste foi fundamental para que Angola fosse o que é hoje”.
Em Cabo Verde, o processo de independência foi diferenciado. Segundo Almeida, ela não surgiu como ideia de libertação, mas sim como estratégia de melhorar a qualidade de vida.
O escritor português questionou a política editorial de livros produzidos em Língua Portuguesa, defendendo o livre acesso entre os países da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
E assim, terminou a Primeira Festa da Literatura em Cachoeira. Clécia Queiroz fechou as apresentações no Palco Cachoeira. Para 2012, os organizadores garantiram mais uma edição e o Diretor da Fundação Pedro Calmon (FPC), Ubiratan Castro, anunciou a realização de um concurso literário no qual doze escritores selecionados se apresentarão na Flica do próximo ano.
O curador do evento, Aurélio Schommer, também informou que será produzido um material audiovisual com todas as mesas o qual será disponiblizado para a Secretaria da Educação da Bahia com o objetivo de ser distribuído nas escolas públicas baianas. Vida longa à Flica!