Arte Literária, Romances e Geografias – Quinto dia de Flica

O sábado na Flica começou com o debate sobre arte literária e grande literatura. Discutiram acerca desse tema os escritores e professores Jorge Araújo (UEFS) e Mayrant Gallo, além do poeta e romancista Carlos Barbosa. Por conta de imprevistos, Vagner Fernandes não pôde vir a Cachoeira, ficando a mediação dessa mesa sob a responsabilidade de Aurélio Schommer, curador da Festa.
Gallo, ao refletir sobre a arte da literatura, disse: “A arte literária existe, caso contrário tudo seria literatura. Quando penso num poema, desloco a linguagem comum do cotidiano para uma forma sensível”. Para esse autor, a distinção entre o conto e o romance está no fato de que o primeiro precisa ter um argumento bem definido para chegar ao efeito final; já o romance pode ser criado a partir de uma imagem que esteja destinada a uma estrutura romanesca.
A literatura para Barbosa é um “aprendizado para a vida e para a morte”. Ele informou que sua experiência com essa arte é de felicidade absoluta: “A literatura colocava, no meu colo, um universo de prazeres e delícias”.
O momento de criação, para Araújo, pode variar a depender do criador. A inspiração existe, porém “o processo de maturação da história é o que mais importa”.
A utilização das tecnologias, contrapondo-se ao livro em papel, foi o assunto da mesa vespertina. O especialista em publicações eletrônicas, Bob Stein, e o pesquisador da cibercultura, André Lemos, participaram desse debate, mediados pelo doutor em Comunicação e Semiótica, Fábio Fernandes.
À noite, foi a vez de discutir as literaturas produzidas no Brasil e em Portugal. Estavam presentes o poeta e cronista português, Pedro Mexia, e o escritor, jornalista e crítico literário baiano, Hélio Pólvora. O editor Rosel Soares foi o mediador.
Segundo Mexia, nas últimas décadas do século XX, os portugueses ignoraram a literatura realizada por brasileiros. Ele acredita que “a ficção brasileira é melhor que a portuguesa, mas o mesmo não ocorre com a poesia. Neste caso, os portugueses são melhores”.

Sobre a importância da Flica, Pólvora desejou que esse evento “vença o desafio de fazer com que o brasileiro leia mais”. O original som de Mikael Mutti e seu Percussivo Mundo Novo foi a atração do Palco Cachoeira, finalizando a programação do quinto dia da Festa Literária.