Lavagem do Senhor do Bonfim

lavagem do bonfim - bahiaMuita água de cheiro e cor branca na segunda quinta-feira do mês de janeiro, pois é dia de festejar o Senhor do Bonfim. Mas quando e como começou tudo isso?

A imagem do Senhor do Bonfim chegou ao Brasil em razão de uma promessa feita por Teodósio Rodrigues de Farias, Capitão de mar e guerra da Marinha Portuguesa, que durante uma forte tempestade prometeu que se sobrevivesse traria para o Brasil a imagem de sua devoção. No período da Páscoa, em 18 de abril de 1745, com grande festividade, o Capitão devoto colocou a imagem do Senhor do Bonfim para veneração dos fiéis na Capela de Nossa Senhora da Penha, na península de Itapagipe. A imagem ficou na igreja de Nossa Senhora da Penha até o término da construção da igreja do Senhor do Bonfim. Em 1754, a Igreja do Senhor do Bonfim foi finalizada e a imagem transferida para lá em procissão, onde foi celebrada missa solene.

A lavagem iniciou-se em 1773, quando os membros da Irmandade “Devoção do Senhor do Bonfim” obrigaram seus escravos a lavar a igreja para os preparativos da festa que aconteceria no domingo após o Dia de Reis. Com o tempo, a festa foi agrupando elementos religiosos de matrizes africanas. Devido ao sincretismo, os adeptos do candomblé associavam a imagem de Jesus à Oxalá, assim como a de Jesus crucificado à Oxalufan (uma representação de Oxalá velho). A lavagem tornou-se uma forma de reverenciar os orixás. As filhas e mães de santo vestiam-se de branco (cor que representa Oxalá), lavavam a igreja com água de cheiro e faziam celebrações do culto ao orixá.

Em 1889, a Arquidiocese de Salvador e a polícia proibiram a lavagem dentro da igreja, transferindo-a para as escadarias e o adro*.

É muito interessante percebermos a importância e representatividade cultural deste evento, que demonstra muito bem a estrutura sócio-cultural colonial brasileira e as características e contradições presentes na nossa atualidade soteropolitana. A Lavagem do Bonfim mostra claramente o sincretismo religioso construído no Brasil a partir de um processo de perspicaz resistência afro-brasileira. Ao mesmo tempo em que simboliza o caráter conflituoso, a partir, por exemplo, da impossibilidade dos fiéis entrarem no templo católico, simboliza também a interação entre religiões de diferentes vertentes. Como uma festividade de grande mobilização social, podemos perceber também a presença das características que compõem nossa sociedade: a desigualdade, a violência, a confraternização, o sagrado, o profano.

Quando formos ao Bonfim, na quinta-feira 13, vamos observar de que forma esse evento retrata a nossa sociedade!

*Adro é o nome pelo qual é chamada a área externa, em geral cercada, das igrejas. Por extensão, o nome também pode designar, em arquitectura, os terrenos margeantes duma construção. Pode, ainda, ser usada como sinônimo de períbolo e átrio.(Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Adro_(arquitetura) acessado 11/01/2011 as 10:55).

Nesta Quinta-feira, dia 13, eu e a minha equipe subiremos a colina sagrada para registrar este que é um dos maiores eventos religiosos da cidade do Salvador.